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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Entrelinhas: Em ‘Poconé’ dá pra ver o ‘horizonte extenso, nacional’

Em Neon: sexta-feira, 18 de julho de 2014


Skank nos anos 90

Revirando as memórias, aquelas que guardo dentro de caixas de papelão, reencontro um disco antigo do Skank. Já fui perdidamente apaixonado por essa banda. Hoje sei pouco deles. Perdi de vista. Não por mal, mas por alguma dessas circunstâncias inexplicáveis que nos afastam do que gostamos. O disco resgatado é “O Samba Poconé”, de 1996. Foi o terceiro disco do Skank e, me diz o Google, um dos mais bem sucedidos. Vendeu 1.800.000 cópias. Uma dessas cópias está tocando agora no meu computador.

“O Samba Poconé” (vou repetir várias vezes esse nome porque acho belíssimo) tem capa e encarte deslumbrantes. Criada pelo genial Gringo Cardia, a arte traz pinturas do espanhol José Robles, responsável por painéis de fachadas de cinema. A cada imagem, Gringo localiza o Skank no coração do Brasil profundo, entre vaqueiros, dançarinas, lobisomem, carnaval e kung fu. Cada detalhe da arte me encanta profundamente. E, quando tive pela primeira vez nas mãos o disco, lembro que ele também me localizou no Brasil. Para um cara do interior do Rio Grande do Sul, muitas vezes o Brasil parece um lugar muito longe. Ouvindo e vendo hoje “O Samba Poconé”, percebo que dentro dele está tudo que me inspirou de lá pra cá. Em 1996, eu ainda não sabia que Poconé ficava em Mato Grosso.

Capa de “O Samba Poconé”, do Skank

“O Samba Poconé” é um disco de som vibrante, belas baladas e embalo pop brasileiríssimo. Produção de Dudu Marote e Skank, o disco vem repleto de hits como “Garota Nacional”, “É uma Partida de Futebol” e “Tão Seu”. Quase todas as músicas são assinadas por Samuel Rosa e Chico Amaral. A dupla faz misérias com as palavras, sabe escolher bem cada uma delas, rima com o prazer de quem come uma manga e nos deixa cheio de orgulho da nossa língua portuguesa brasileira. Minha reverência aos dois. É uma música linda, que me transporta para lugares onde eu nunca estive, onde estive e onde sonho estar um dia.

Contracapa de “O Samba Poconé”, do Skank

Enquanto ouço “O Samba Poconé”, separo trechos das letras:
 “Mesmo sabendo que a vida nos engana (...) Eu disse a ela que / Eu disse a ela então / Eu disse a ela que / Eu disse a ela não” (Eu disse a ela)

“Meu coração parecendo / um lobo rubro aço / ficou mudo no abraço”
”Meu coração (...) não entende o estilhaço / que é só, eu sei / um balaço de amor” (Os Exilados)

 “Todo mundo acha que eu vivo como um rei / mas a minha solidão ainda não curei / minha boneca, boneca de Poconé / pra ganhar um beijo seu, eu vou até a pé” (Poconé)

“Um dia isso tudo vai ter que passar / um dia eu volto pro meu lugar / há sempre alguém a nos esperar / um dia eu volto pra lá.” (Sul da América)

Reencontrei “O Samba Poconé”. Feliz reencontro. Não sei se é um clássico da música brasileira. Mas é um meu clássico. Volto a Poconé, sinto a poeira da estrada, fecho os olhos. De lá pra cá, ando procurando a mesma coisa: o “horizonte extenso, nacional” que o Skank cantou tão bem em 1996. E segue cantando repetidas vezes aqui.

“Aurora joga o anzol sobre nós / vamos cantar o amor do sol / o sol que volta no varal / do horizonte extenso, nacional” (Sul da América)

Clipe de “Poconé”, do Skank:




Por: Tarcísio Lara Puiati

Tarcísio é poeta, dramaturgo, roteirista e diretor. Realizou filmes de curta-metragem premiados como “Cowboy” e “Homem Bomba”. Em 2013, lançou o livro “Rabiola”, pela editora 7Letras. É autor da Rede Globo de Televisão, onde colaborou em “O Astro”, de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, premiada como melhor telenovela no Emmy Internacional 2012. Faz parte da Companhia de Teatro Íntimo e da produtora Caju Cinema.

 
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