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domingo, 20 de julho de 2014

Confissões de uma drag: Dindry Buck falando de amor e religião

Em Neon: domingo, 20 de julho de 2014



Ultimamente tenho visto e ouvido falar do amor de uma forma um tanto quanto corriqueira na nossa sociedade moderna, que o AMOR, um sentimento sem explicação, que tudo pode, que cura, salva e liberta, alardeado aos quatro cantos e sequer vivido em sua essência, se tornou algo banal.

De modo especial vou me dedicar às religiões – religião, do latim religare: religar o homem ao divino, ao inexplicável - que pregam o AMOR mas não conseguem viver o AMOR em plenitude, como ele deve ser vivido.

É um AMOR que segrega, se é que o AMOR pode segregar algo.

O grande nome do Cristianismo – que não fundou nenhuma religião, no conceito que as pessoas tem hoje de religião – que pregou e viveu o amor em plenitude e andava cercado de prostitutas, malfeitores, cobradores de impostos, gente do povo -“Jesus Cristo disse: “Eu vim chamar os pecadores e não os bons”. Mt 9,9-13 e outra passagem: “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31) – nunca fez segregação nenhuma e sempre acolheu a todos sem distinção.

Muitos fanáticos religiosos, e bota muito nisso, tem a triste mania de falar que aceita o pecador e odeia a prática do pecado. O meu pároco sempre fala que o pecado é natural do ser humano e é o que nos faz sentir necessitados da misericórdia de Deus. Pecar é humano –“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?Jesus respondeu: "Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete. Mt 18, 21-22 – só Jesus Cristo quando se fez homem e assumiu a natureza humana que numa pecou. Devemos lutar sempre pela construção de um mundo melhor, um mundo onde as pessoas se AMEM de verdade, se respeitem e não julguem ninguém.

Ultimamente, o “pecado” da homossexualidade nunca foi tão combatido pelas novas denominações pentecostais e setores conservadores das religiões cristãs, é como um câncer que corrói a sociedade. Vi na internet recentemente campanhas para que aqueles que fossem Cristãos mudassem de canal no dia em que a TV Globo exibisse o capitulo do beijo lésbico que aconteceu na novela “Em Família”.

Atitudes que só alimentam mais e mais o preconceito e segrega, gerando ódio, violência e morte. E onde fica o AMOR???

O Papa Francisco quando veio ao Brasil ao ser questionado pela repórter Ilze Scamparini sobre os homossexuais respondeu: “Quem sou eu para julgar os homossexuais?” E daquele dia em diante a Igreja Católica passou a tratar a questão da homossexualidade de uma forma diferente, tanto é que, recentemente, um programa católico da TV Aparecida tratou uma questão um tanto quanto delicada de um padre que, na hora da comunhão, pediu para os homossexuais que estavam assistindo a missa, não se dirigirem a mesa da comunhão. O padre Pedro Cunha, da TV Aparecida recusou a responder e falar sobre o caso, por receio de se exaltar com o tal padre. Já o psicólogo e teólogo Rodolfo Ferraz responde e faz menção ao Papa Francisco, que pediu para que a igreja abra as portas para os homossexuais, e frisa que é preciso uma renovação na maneira pastoral. Ele afirma que a igreja tem uma opinião sobre a prática homossexual, mas que é "um erro gravíssimo" querer utilizá-la para censurar ou segregar. "Se alguém perguntar o que a igreja pensa sobre a prática da vivência da homossexualidade, você pode responder. Mas se ninguém perguntar, você não deveria nem falar, porque é desnecessário”.

Confira o vídeo:



Recentemente, assistindo a bela e inteligente entrevista do Pastor Caio Fábio no Programa do Danilo Gentili – The Noite/SBT - ele falou da questão da Homossexualidade, algo tão antigo quanto a humanidade, um comportamento natural do ser humano e que a maioria dessas religiões que condenam tal comportamento estão repletas de homossexuais. E eu ainda acrescento: Cheios de medos, vivendo vida dupla e enganado namoradas e esposas, pois a sexualidade é para ser vivida. Quem não nasceu para a castidade – como padres, freiras, monges – não consegue sublimá-la na maioria das vezes. E o pastor ainda ressalta que os fundamentalistas religiosos se apegam em algumas passagens da Bíblia e, se for ver o todo, eles caem em contradição, pois as proibições e permissões dos textos Bíblicos são mais amplas do que alguns versículos que estão na boca de alguns fanáticos.

Assistam essa maravilhosa entrevista do Pastor Caio Fábio:


Às vésperas da 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo divulgou uma nota pública, em que apoia a campanha que pede o fim da violência contra os LGBT – “A defesa da dignidade, da cidadania e da segurança das pessoas LGBT é imprescindível para a construção de uma sociedade fraterna e justa”.

Um episódio chamou bastante atenção recentemente na mídia norte-americana; a Drag Queen Mama Tits enfrentou fundamentalistas religiosos que tentaram acabar e atacar participantes da 40ª Parada LGBT de Seattle, no EUA. A Drag Queen surpreendeu a todos ao pegar o microfone e usar argumentos religiosos para desconstruir os ataques aos LGBT: “Eles estão usando misturas de algodão e poliéster, e isto é uma abominação.
Vocês matam as suas filhas se elas fazem sexo fora do casamento?
Vocês dormem com as esposas de vocês se elas estão naquele período do mês?...”

Confira o vídeo:



Recentemente o Bispo mexicano da Igreja Católica, Raúl Vera, ao ser entrevistado pelo Jornal El País declarou que a Igreja precisa se aproximar das pessoas homossexuais sem condenação e que já passou da hora da sociedade parar de encarar os LGBT como doentes e ainda acrescentou: “Os que dizem que os homossexuais são doentes, são os que estão doentes, e que a Igreja precisa aproximar-se deles sem condenação e sim com diálogo”.

Felizmente as religiões estão se abrindo e vendo que o sentido primordial de tudo é o Amor, sem amor nada somos.

Dedico esse texto ao Papa Francisco que com sua enorme sabedoria vem abrindo os olhos da igreja e do mundo, mostrando que o que importa na vida é o amor; ao meu pároco que tanto faz pelo respeito e aceitação das diferenças em minha paróquia; a todos os paroquianos da minha paróquia que aprenderam a respeitar e a conviver com o ser humano, independente de sua sexualidade, crença, raça... A Maria Izabel Guardarine, Coordenadora de Liturgia da minha Paróquia; ao Reverendo Cristiano Valério da ICM e ao Pastor Justino Luiz da CCNE (líderes de duas Igrejas Evangélicas inclusivas que tanto fazem pelo bem do ser humano), a irmã Margareth Silva, ao Frei Brayan Felipe e aos amados Franciscanos do SEFRAS-CEFRAN e a tantos líderes religiosos que fazem a diferença no mundo e vivem verdadeiramente o AMOR em suas vidas e espalham esse amor por onde passam.

Por: Dindry Buck

Dindry Buck, personagem vivida pelo Publicitário, Jornalista, Ator e Maquiador Albert Roggenbuck. Formado em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda, pela Universidade São Judas Tadeu – São Paulo, trabalha em eventos como animadora, apresentadora e hostess. É ativista social pela causa LGBT, sendo o atual Conselheiro representante dos Transegêneros junto ao Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual.

 
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