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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Passei dos 30 e daí? É Hora da Faxina

Em Neon: segunda-feira, 27 de abril de 2015


Nessa última semana, com dois feriados prolongados no Rio de Janeiro, percebi um fato curioso no meu Facebook. Toda hora era uma amiga ou um conhecido qualquer dizendo que estava fazendo uma faxina virtual, ou seja, deletando alguém da sua lista. Achei que era um grupo pequeno, isolado, descontentes com a postura de uma ou duas pessoas, mas as postagens foram se amontoando, crescendo e decidi parar pra analisar esse repentino fenômeno. Eu acompanhava, pra ver se sobreviveria à aquela chacina virtual, vai se saber quais eram os motivos da pessoa.

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O que faz uma pessoa decidir fazer uma faxina virtual? O que nos leva banir, deletar, bloquear uma pessoa de nosso convívio diário, de participar de nossas vitórias e derrotas? Não estou sendo radical, concordo que há momentos que precisamos fazer uma limpa de verdade nos contatos, eu mesma já fiz. Há muita gente sem noção, isso há.

Que motivos nos levam a exterminar alguém, virtualmente falando, claro!
• Estar anos por ali e nunca curtir nada seu e você precisa abrir espaço para novos e atuantes contatos.
• Só está ali para te investigar, fuxicar sua vida. E de gente invejosa e recalcada já chega as do mundo real.
• Pessoas que adoram brigas por política, programas de TV, jogos de futebol e sempre enviam comentários inconvenientes em alguma foto ou postagem sua ou te incluem em 25 grupos e te mandam mil convites para eventos.
• Pessoas que te convidam pra jogar. Quero estrangulá-las.
• Ou ainda você pode estar de saco cheio de homens ou mulheres inconvenientes. Daquele tipo que aproveita a falta de contato físico e a distância que a internet o proporciona para invadir sem piedade nossas entranhas e nos dar cantadas, enviar fotos impróprias, etc.
• E claro, ex namorado, ex sogra, ex cunhada, todos os ex deveriam nos levar a explodi-los virtualmente. Porque pra mim, se não serviu como namorado não serve nem pra estar na minha lista de amigos. Esses já nem precisavam estar por ali mais.

A maioria das postagens avisando da faxina virtual era de mulheres. Fato curioso e que me fez pensar, só mulher faz faxina nos contatos? Será que estamos saturadas de tanto homem mandando mensagens in box nos chamando de gostosas, lindas, etc e tal. Não é só porque somos solteiras que estamos disponíveis para qualquer tipo de brincadeirinhas. Até as casadas reclamam.
Por que homens não fazem faxinas em seus Facebooks? Fui perguntar a alguns amigos e todos me responderam: porque quanto mais contatos melhor, além do mais a gente não liga se olharem, fuxicarem ou mandarem uma foto intima. 

Não estou aqui sendo machista, feminista, sexista, nada disso... Só estou analisando a realidade dos meus quase 2 mil contatos e das reclamações constantes de faxina virtual. O mundo está perdendo a noção de espaço alheio? De respeito ao próximo? Será que o fato de invadir nossas casas através da tela do computador dá o direito ao próximo de invadir nossas vidas reais?  Há diferença entre vida real e vida virtual?

Eu mesma já fiz inúmeras faxinas virtuais, pelos motivos expostos e até por outros. Na época da eleição a faxina foi por divergência política e agressões verbais. Outros momentos alunos extremamente inconvenientes foram sumariamente excluídos, em outros namorados que viraram ex não tinham mais que partilhar minha vida. Eles não optaram sair dela? Por que acompanhá-la?
Pelo menos sobrevivi a todas as postagens de faxinas virtuais desse último feriado. Bem, eu nunca posto no mural dos outros o que não quero que postem no meu. Não convido ninguém pra jogar, já que odeio esses joguinhos de Facebook. Só convido para eventos ou grupos quando sei que é do interesse das pessoas e sei que elas gostarão. Não deixo recadinhos fofos pra amigos comprometidos, vai que a namorada pira e o obrigada a me excluir? Tento ser uma boa amiga virtual. Não sou?

Foto: Madonna para Dolce & Gabbana / Reprodução

Por: Gika Mendonça - CLIQUE AQUI e leia mais artigos da coluna Passei dos 30 e daí?

Gika é professora, blogueira, escritora, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, na manutenção do seu blog “O Fantástico Mundo de Gika" e escrevendo muitas estórias.  Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira. Recentemente fez um curso de escrita com o escritor policial Raphael Montes e sua vontade de escrever um romance veio a tona após o curso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Passei dos 30, e daí? Só depois do carnaval

Em Neon: quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015


Por toda parte o assunto hoje é carnaval ou o filme "50 Tons de Cinza". Este último eu deixo para uma próxima crônica, quem sabe, mas de Carnaval não há como fugir (ainda que eu tente bravamente).

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Desde a quarta-feira de cinzas de 2014 eu já tinha amigos planejando viagens e comprando abadás para este ano. Largaram o bom velhinho sem dó nem piedade e se jogaram aos abraços do momo.
É difícil encontrar quem não goste ou não saia nos inúmeros blocos pelo Rio de Janeiro. Um amigo meu sempre fala que o carnaval é a época de se fazer tudo que tiver vontade, sem parecer ridículo. Pode até ser, mas tirando eu e mais meia dúzia que detestam, sofrem bullying e são comparados a ETs, a massa cai na folia de cabeça, sem medo de ser feliz. Muitos falam que carnaval é uma pausa para todos os problemas do ano, que mal começaram porque ainda estamos em fevereiro, e que funciona como um ponta pé inicial para o ano novo. Não dizem que o ano só começa depois do carnaval?

Carnaval de rua pra mim é impraticável - lá vem ela reclamando da vida, dos blocos e de tudo mais - Já morei em Santa Teresa, com blocos passando debaixo da minha janela e nunca cai na folia. Odeio tumulto e pra mim carnaval é uma versão de apocalipse zumbi com filme pornô. É um aglomerado de gente fedida, suada, perdida, desesperada por bebida e comida, pegando e agarrando o que vê pelo caminho e mesmo que estejam praticamente em um "The Walking Dead", ainda sentem um mega tesão, mesmo sem banho ou sem escovar os dentes.

Não podemos esquecer que pra quem está sozinho, assim como eu, carnaval é uma boa época pra se encontrar um grande amor. Quem disse essa frase? Juro que não fui eu... Quem namora no carnaval? Carnaval é a fase do ficar, sair, pegar, blocar. Todas as palavras do momento passam longe de qualquer coisa que resulte em namorar ou assumir qualquer compromisso que seja. Pronto, voltou a falar aquela desanimada, chata e pessimista da Gika. Para! Estou sendo realista minha gente.

Dia desses estava eu na praça de alimentação de um shopping aqui perto de casa e ao meu lado havia quatro meninas, que deviam ter entre 15 e 20 anos, falando dos planos para o carnaval. Elas conversavam enquanto lanchavam e combinavam quais os dias que iriam blocar e quantos iriam beijar no carnaval. Uma delas estava revoltada porque o namorado todo dia arrumava briga com ela e pediu um tempo, uma semana antes do começo da folia. Outra do quarteto, a que parecia mais jovem, falava: "Namorar? Estou fora, quem namora antes do carnaval?" E a outra retrucava: “Se ele vier com esse papo de namorar de novo vou mandar ele me procurar só depois do carnaval, não quero ser corna não, cara”.

A sensação que tenho é que quanto mais se aproxima o Carnaval, mais aversão a relacionamentos as pessoas apresentam. Difícil entender a lógica desse jogo, não? Ao passo que acaba o período carnavalesco todos estarão se apaixonando por novos pretendentes ou voltarão para aqueles antigos namorados abandonados pré-carnaval, em pleno verão escaldante. Li sobre isso em um livro muito interessante e de cultura um tanto inútil, mas que te faz rir e esquecer-se da vida chamado: "Guia do Toco". No livro esse tipo de toco é bem comum entre os homens, principalmente que querem se ver livres e soltinhos nos dias de momo. O namoro vai bem, mas o carinha começa a arrumar briga e pede um tempo para pensar na relação bem no sábado de carnaval, tendo a resposta para todas as suas dúvidas bem na quarta de cinzas. É o toco bumerangue. Já passei por isso, sei bem como é. A sensação que tenho é que pulamos o mês de janeiro e só voltássemos a ter nossas faculdades mentais, de forma plena e sadia, após os dias de folia. Nós não, eu faço parte da meia dúzia de excluídos que detestam carnaval.

E eu jogo a pergunta pra vocês: quem namora antes do carnaval? Quem estaria disposto a ter um compromisso sério e não poder “pegar geral” nos blocos de carnaval? Eu nem respondo, não conto, eu sou do tipo que adora namorar e namoraria em qualquer época.

Fotos: Nikhilmathew/Google / Reprodução

Por: Gika Mendonça - CLIQUE AQUI e leia mais artigos da coluna Passei dos 30 e daí?

Gika é professora, blogueira, escritora, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, na manutenção do seu blog “O Fantástico Mundo de Gika" e escrevendo muitas estórias.  Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira. Recentemente fez um curso de escrita com o escritor policial Raphael Montes e sua vontade de escrever um romance veio a tona após o curso.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Passei dos 30 e daí?: Frida

Em Neon: quinta-feira, 25 de dezembro de 2014



Mês de dezembro é um mês estranho. É sério. Jura que pra você não? Ao mesmo tempo em que dá uma sensação de alivio, ano terminando, adeus 2014 e que venha 2015 cheio de sonhos e desejos, dá uma sensação de angustia, de querer correr atrás do prejuízo, em um mês, do que não se fez o ano inteiro. Tanta coisa que prometi lá em 31 dezembro de 2013... e não cumpri! Ficar mais magra, estudar mais, ler o triplo, escrever finalmente meu livro, arrumar todos os papeis bagunçados do meu quarto, voltar a jogar tênis... Sei lá, tanta coisa prometida, mas aí vem à preguiça, falta de sorte, ou excesso dela, falta de tempo, de vontade, muitas não aconteceram ou quem sabe não eram ainda a hora de acontecer?

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Tive um ano de trabalho tranquilo. Fiz amizades incríveis e que espero levá-las comigo pra sempre. Tanta gente legal, alto astral, empreendedora... O Em Neon apareceu na minha vida e com ele Dudu e Maumau. E os cursos? Curso de roteiro, de escrita para romances... E os livros, cada ano eu compro mais livros e a pilha de leitura vai só aumentando. Comprei de tudo: crônicas, romances românticos e outros nem tanto, mas os de ficção especulativa, aquele tipo de ficção cientifica que trás mundos que diferem do mundo real tem sido meus preferidos. A distopia, o pós-apocalíptico tem me atraído muito ultimamente, mas isso a gente deixa pra próxima crônica e quem sabe para um futuro livro.

Mas uma coisa eu preciso compartilhar com vocês. Algo realmente importante e que foi o divisor de águas do meu ano. Algo que aconteceu em outubro. Amigos... Estou completamente, verdadeiramente e profundamente apaixonada. Uma paixão daquelas que chega sem avisar, rápida e alucinante. Como o sono, às vezes demoramos pra dormir, rolamos, rolamos, mas quando ele chega você se vê rendido.

Vocês acham que estou apaixonada por uma pessoa ou que estou grávida? Não, não. Nada disso... minha paixão é pela FRIDA. Uma linda cachorrinha pretinha com rajadas brancas que adotei em outubro. Ela chegou quando eu menos esperava e foi me conquistando de cara. Quando a vi pela primeira vez, ainda se chamando Mila, não tive dúvida que era a cadelinha que eu esperava há 37 anos.

Até meus mais ou menos 25, 26 anos morria de medo de cachorro. Era daquelas que se o cachorro atravessasse a rua na minha direção, eu atravessava para o lado contrário. Mas de um tempo pra cá meu lado maternal tem gritado e a vontade de cuidar, alimentar e ter um serzinho ao meu lado falou mais forte. Não tive dúvidas, vou adotar uma cadelinha.

Logo que a Mila chegou aqui em casa vi que esse nome não condizia com sua personalidade forte, decidida, com sua beleza exótica e sua história de vida sofrida. Frida, Frida sim era um nome perfeito para ela, e não é que ela adorou?... Como eu sei? Chama meu bebe de Mila (ela te ignora) chama de Frida e ela vem saltitante. Ainda tem dúvida que fiz a escolha certa?

Somos tão unidas. Dormimos juntas, saímos pra passear, assistimos aos mesmos filmes (alguns ela dorme no meio, mas não sai do meu lado de jeito nenhum), conversamos por horas (enquanto eu falo sem parar ela só me escuta). Minha filha é praticamente uma lady, só faz pirraça e apronta quando mexo no celular ou uso o computador. Ela morre de ciúmes dos dois.

No primeiro dia que fui trabalhar e a deixei em casa com meus pais por 12 horas. Cheguei morta, acabada, ela me recebeu com tanta alegria, tanta saudade, com tantos saltos, pulos e lambidinhas que voltar pra casa e saber que tem alguém me esperando com tanto amor, tanto carinho fez minha volta ter muito mais sentido. Se até então eu não sabia o que era amor incondicional, agora eu sei...


Por: Gika Mendonça - CLIQUE AQUI e leia mais artigos da coluna Passei dos 30 e daí?

Gika é professora, blogueira, escritora, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, na manutenção do seu blog “O Fantástico Mundo de Gika" e escrevendo muitas estórias.  Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira. Recentemente fez um curso de escrita com o escritor policial Raphael Montes e sua vontade de escrever um romance veio a tona após o curso.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Passei dos 30, e dai? Liberdade pra dentro da cabeça

Em Neon: segunda-feira, 3 de novembro de 2014



Há fases na vida que estamos mais carentes, solitárias, outras em que trabalhamos loucamente e não temos tempo nem pra pensar na gente e ainda outras fases mais reflexivas. Acho que estou vivendo um pouco de cada fase, tipo tudo junto e misturado, mas tendendo para a reflexiva.

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Nesses momentos de profunda reflexão, é natural repensarmos a vida que levamos, se temos o peso que queremos (essa parte pula porque estamos de dieta eterna), se estamos felizes com nosso trabalho, o porquê ainda não encontramos a pessoa certa (se é que ela existe) ou talvez ela já tenha passado na sua vida e você nem se dera conta.

Me peguei, numa madrugada dessas reflexivas, escutando um vídeo na internet de um Rinpoche Budista muito famoso e sábio que falava sobre o amor e os relacionamentos. Esse vídeo de quase 2 horas, uma palestra dada por ele em um evento nos Estados Unidos, falava que o propósito fundamental da prática do budismo Mahayana, que acredito eu que sirva para todos nós, é levar todos os seres a liberação. Muitas vezes dar liberdade a todos os seres é difícil, é algo tão abstrato que se torna muitas vezes impossível e impensável. O Rinpoche seguia dizendo que mesmo que não consigamos dar libertação, ou seja, liberdade a todos, que consigamos dar pelo menos ao nosso companheiro. Viver em um relacionamento se sentindo basicamente estrangulado pelo outro, encarcerado não é um relacionamento, é uma prisão.

Imagina quantas brigas teríamos evitado se déssemos realmente liberdade uns aos outros! Quantas cenas de ciúme ou controle eu protagonizei na minha vida e o que ganhei com isso? Nada, na verdade ganhei brigas, inseguranças, estresse e muitas vezes eu afastei mais o cara que o aproximei.

Você deve estar se perguntando, a teoria budista é muito boa, as ideias dessa trintona são ótimas, mas e por isso em prática? Concordo, é muito difícil, mas vejo que tomarei isso pra minha vida como uma pratica diária. Quantos namoros poderiam ter prosseguido na minha vida, na sua vida, se nós não estivéssemos estrangulado o parceiro com perguntas do tipo: pra quem ele está enviando mensagem? Com quem ele bebeu chopp no final do dia? Ele veio direto para casa ou está por aí na academia? O que ganhamos não dando espaço e liberdade?

Segundo o Rinpoche, o próprio Buda disse que devemos tratar as nossas vidas, a chamada vida familiar, como uma experiência passageira, como se fosse um hotel. Nos grandes hotéis as pessoas entram e saem.

Não estou aqui pregando religião, mas como essas palavras mexeram comigo e me fizeram refletir por dias, quis dividi-las com vocês. Nossa vida é assim. Todas as relações são temporárias. Nada, nada é eterno. Novos amigos entram, velhos amigos saem. Velhos amores se vão e novos entram na nossa vida, porque é assim que a vida é. Isso não é só pra relacionamento, esse café ou esse suco que você está tomando nesse momento, ou esse bolo feito com carinho podem ser o último. Então porque não aproveitar o agora, não aproveitar o tempo real?  Por que se apegar a coisas pequenas, a brigas, a controles, a ciúmes ou só pensar no futuro e não curtir o que se há pra curtir nesse momento, o agora.

Se eu tivesse ouvido estes ensinamentos há um, dois, 10 anos atrás talvez minha vida hoje fosse tão diferente! Não prometo ser uma pessoa 100% melhor com 2 horas de ensinamentos online, mas que essa palestra me abriu os olhos e mudou a forma como conduzo minha vida hoje, ah! Isso não tenho a menor dúvida! A idade tem isso de bom, te faz pensar, repensar, refletir e ver a vida por outros prismas e assim nos dar a chance de evoluirmos cada dia mais e mais.


Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Passei dos 30, e daí? Alma de Interior

Em Neon: terça-feira, 19 de agosto de 2014


A linda paisagem de Paquetá já é vista na chegada

Hoje acordei com preguiça, como sempre acordo em qualquer domingo, seja ele chuvoso ou ensolarado. Acho que meu organismo sabe que é domingo e minha moleza natural se torna sobrenatural. Não estou aqui pra falar da minha “preguiçite” dos finais de semana, mas ao abrir o jornal de hoje, por uma hora, senti um misto de encantamento, fascinação, paz e nostalgia. Me deu uma vontade louca de vender o carro, comprar um bicicleta vintage e arrumar as malas. Acho que tenho alma de interior.

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O jornal trazia os encantos e delícias de se viver e passear por Paquetá, que fica a 40 minutos (de catamarã) do centro do Rio, mas que eu infelizmente não conheço. Moro há quase 37 anos no Rio de Janeiro, já viajei para outros estados e países e ir a um bairro a 40 minutos do centro nunca fui. Como pode uma coisa dessas? Até 3 anos atrás nem ao Cristo eu tinha ido.

Na minha burrice geográfica achava que Paquetá era uma cidade como Teresópolis, mas é um bairro e faz parte do centro do Rio.

Paquetá: Um paraíso próximo do centro do Rio de Janeiro
Lendo a matéria, não pensem que estou aqui fazendo propaganda de jornal ou de qualquer bairro, nem falei o nome do dito cujo aqui, mas a cada página lida um sentimento de abrigo, aconchego, tranquilidade ia crescendo dentro de mim. Poluição zero, tranquilidade, vista deslumbrante e somente notificações de roubo de bicicletas e brigas entre bêbados chegam à delegacia local. Não precisei pensar muito para concluir que é nesse tipo de lugar que quero morar de vez um dia. Tenho quase certeza que minha alma é do interior.

Curioso, porque quem me conhece sabe: amo cidade, gente, shopping, vida noturna, NY, Sex and the city. Por que então alguém como eu tão urbana me pego sonhando com lugares bucólicos e tranquilos assim?
Fazendo uma análise nostálgica da minha vida, vejo que as fases mais felizes dela se passaram em cidades do interior. Morei anos e anos em Teresópolis, meu primeiro salario foi trabalhando numa lojinha de lá, meu primeiro grande amor da fase adulta morava e ainda mora no interior do interior de lá (já está no segundo casamento e tem dois filhos), meu último grande amor (só na minha cabeça) também era do interior do Rio.

Hoje, cada vez mais próxima dos “enta” que dos trinta, não tenho a menor dúvida que quando me aposentar aos 51 morarei no interior. Posso rodar o mundo, conhecer lugares incríveis e modernos, mas sempre voltarei para aquela casinha branca, com uma rede na varanda, quintal arborizado, rua de chão batido, cachorro da vizinha latindo, Vinicius tocando na vitrola antiga, com um quarto repleto de estantes com livros por todas as partes e uma enorme janela com vista para serra ou para o mar.

Não tenho mais dúvidas, minha alma é de interior.

Fotos: Eduardo Moraes (www.emfotos.com.br)

Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Passei dos 30, e daí? Aberta a temporada de caça!

Em Neon: segunda-feira, 14 de julho de 2014



Passado o período de Copa do mundo e de toda a ressaca moral que nós brasileiros tentamos superar, é hora de seguir em frente. O período de carnaval fora de época termina, o calor humano diminui, o frio se torna mais intenso e a temporada de relacionamentos fica aberta até o próximo verão (quando a solteirice volta a ser moda).

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A chuva cai forte pela janela do meu quarto. Um friozinho gostoso de começo de inverno. Aquele dia perfeito para se jogar na cama, ler, escrever, dormir, assistir a uma comedia romântica leve, dia ideal para repensar a vida. Não sei como é com vocês, mas a chuva me deixa particularmente inspirada e nostálgica. Me faz viajar no tempo, a momentos nem sempre tão bons, mas de certa forma inesquecíveis. Nesse clima chuvoso e nostálgico, eis que recebo o mesmo recado de duas amigas que não se conhecem. “Gika, está aberta a temporada de relacionamentos”.

Será mesmo? Onde isso? Esqueceram de me chamar... só pode ser!

Eu tenho escutado ultimamente tantas mulheres dizendo que falta homem no pedaço. Na fila do banco, do mercado, no salão, se há mulher solteira o assunto é sempre igual: Cadê os homens solteiros? Gika, mas nós mulheres, não falamos só de homens, pelo amor de Deus! Eu sei meninas, e é claro que nosso repertório é variado, mas eu mesma, muitas vezes, me pego falando a mesma coisa. Será que estão faltando realmente homens para nós mulheres namorarmos neste mundo?

E não ficamos por aí não, vários amigos solteiros meus vivem me dizendo que não encontram mulheres que queiram namorar de verdade, realmente comprometidas, e vários amigos e amigas gays estão sempre reclamando que faltam pessoas legais por aí.
Mas se há tanta gente solteira querendo namorar e tantas outras igualmente solteiras no mundo buscando a mesma coisa, porque a conta não fecha? Será que alguém ainda quer namorar alguém nos dias de hoje? Se querem, será que estamos todo o tempo buscando as pessoas erradas, nos lugares errados? E de onde minhas amigas tiraram essa ideia de abertura da temporada de relacionamentos?

São tantas perguntas que realmente se eu soubesse a resposta para todas elas não estaria solteira, seria uma especialista no assunto, podendo até dar consultas e escrever livros sobre o tema.

Decidi então entrar em contato com minhas amigas. Aquelas que me enviaram a mensagem logo cedo. A primeira me explicou que um carinha que ela paquerava desde o carnaval a tinha chamado pra um café.

Sinceramente, se eu tivesse que esperar carnaval, dia dos namorados, Copa do mundo para, aí então, tomar um café com alguém, certamente não seria com ele, quem espera tanto? Mas acho que o dia chuvoso, frio e pós-copa traumática o fiz pensar em uma tarde aconchegante regada a muito café com minha amiga e ela solteiríssima topou, por que não?

A segunda amiga que me enviou a mensagem disse se tratar de um ficante, peguete, amigo colorido, P.A., sei lá qual o nome se dá ao cara que parece que te namora, mas não namora. Fica com você sempre que dá, sai com você sempre que pode, transa com você na hora que ele quer e nunca te assume perante ninguém. Nunca está disponível quando você o chama para um evento de família, para um show ou para uma festa entre amigos. É aquele tipo de relacionamento que não te cobra nada e também não quer ser cobrado. No fundo você continua só e tem esporadicamente pequenos momentos de alegria e prazer. E como ele tinha sumido desde antes dos dias dos namorados, ela resolveu dar mais uma chance para o rapaz que parecia agora realmente interessado em algo.

Elas irão me matar! Meninas, não citei seus nomes e não há como identifica-las (Ufa, acho que estou salva). Pode ser que vocês até tenham razão e esse clima mais frio propicie mais encontros que desencontros, mais romances que separações. Quem sabe até eu não esbarre ou reencontre alguém que queira se aconchegar no meu edredom?

Acho que independente de qualquer rótulo amoroso, proposta ou convites que possam vir a ser feitos, o que todo ser humano busca, principalmente nesse período que o frio fica mais intenso e a solteirice mais em evidência, é encontrar alguém realmente especial. Alguém que nos faça ter a certeza de que é ela, a pessoa certa para este momento da nossa vida e que nos dê também a certeza que somos igualmente certos para a vida dela. Nada mais importante do que ter a pessoa certa no momento certo.

Amar e ser amada, se doar e receber carinho, estar com alguém que realmente quer estar ao seu lado neste período da sua vida é o que há de mais precioso para qualquer ser humano.  Desejo boa sorte a todos e que as portas estejam abertas para essa nova temporada.

Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Passei dos 30, e daí? Me desconectando do mundo

Em Neon: sexta-feira, 27 de junho de 2014


Engraçado falar em se desconectar quando precisamos estar conectados para ler esta crônica. Ou quando todo o mundo está ligadinho nos jogos da Copa e nós, claro, não só nos jogos, como também nos jogadores, porque não somos bobas nem nada.

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Mas ontem tentei, pela primeira vez em anos, me deligar do mundo um pouco. Não, não viajei pra lugar algum, quem me dera, e que fosse bem acompanhada, mas quis tentar me desligar para pensar, por a cabeça no lugar, me imaginar sozinha no cosmos. Claro que comecei pelo celular. Como me desligar sem me libertar deste vício? Vocês devem estar me achando uma trintona doida, falando coisas sem nexo, mas é sério, como se desconectar do mundo sem largar o celular?

Sinto o celular como um prolongamento da nossa vida, pois ali temos fotos, contatos, e-mails, vídeos, milhões de aplicativos que nos conectam com o mundo. Mas viver sem ele tá bem difícil hoje em dia. Vivemos praticamente em função dele.

Se fosse só desligá-lo e ligar a TV, ler um bom livro, seria fácil pra mim, ou caminhar pelo condomínio arborizado respirando ar puro seria igualmente fácil, sentar na praia e me debruçar no horizonte seria tranquilo, mas e o raio do celular? Ou vocês acham que eu leio ou vejo TV sem ele, que eu caminho sem checar minhas mensagens e que observo o horizonte sem bater um papo pelo WhatsApp?

Preciso explicar o nível do meu vício para que vocês entendam como é uma missão quase impossível desligá-lo e me desconectar do mundo, espero que vocês não estejam neste nível, mas se estiverem estamos juntos amigos e amigas.

Sou daquelas que desliga o computador, deita na cama e entra na internet pelo celular ao invés de dormir. Daquelas que quando acorda, antes de colocar os óculos, já vai procurando o celular (que estava pra vibrar, mas nunca desligado) para ver se há mensagens. Sou daquelas que em qualquer sinal fechado ou engarrafamento está falando por mensagem de voz no WhatsApp.

Sou daquele tipo de viciada crônica, daquelas que vão ao banheiro tomar banho, deixam o celular na pia e se chega uma mensagem (cada uma tem um som especifico, assim sei se é WhatsApp, SMS, e-mail, inbox), fecham o chuveiro, e correm para ver quem está do outro lado, vai que é importante... vai que o mundo tá acabando e alguém está tentando me  avisar?

Confesso que já tive uns três momentos de afastamento forçado do celular. Duas vezes ele morreu, pois tinha esquecido o carregador em casa, e só sei que quase morri junto. Uma das vezes uma amiga tinha um carregador para me emprestar, mas na segunda vez tive que aguardar umas 3 horas sem ele vivo ao meu lado. Na terceira vez... Esta foi a mais cruel de todas. Tinha saído apressada para a escola e esqueci o celular carregando no banheiro. Me dei conta do esquecimento ao pegar uns trocadinhos para pagar o pedágio e vi que o celular simplesmente não estava na minha bolsa.

Esse afastamento foi doloroso, como sofri por quase 12 horas! Como viver tanto tempo sem meu celular? Comecei a ficar em pânico, uma sensação horrível, uma mistura de loucura, falta de ar, sensação de abandono que eu jamais senti até então. Tentei controlar a respiração, me acalmar e paguei o pedágio. Segui para a escola e o caminho me pareceu mais longo, e se o pneu furasse? Como ligaria para o seguro? Como ligaria para minha casa? Foram os 40 minutos mais longos da minha vida. Mas ao chegar ao colégio sempre há um amigo com um celular para nos emprestar ou um telefone fixo a nossa disposição.

Mas o meu experimento de ontem foi diferente, foi uma separação consentida, sem grandes sofrimentos para uma das partes, simplesmente deliguei meu celular por 12 horas. Tá bom Gika, você desligou e dormiu. NÃO, nada disso, dormi umas 6, 7 horas. Simplesmente fui deixando o celular descarregar, perder suas forças até morrer. Quando estava 15% de carga, desliguei, joguei no armário e fui ler, depois dormi (um pouco tensa, mas dormi), acordei pela primeira vez em anos sem olhar minhas mensagens, caminhei pelo condomínio sem a paranoia de checar meu Facebook e só após o almoço coloquei o celular pra recarregar e aí sim o religuei.

Sabem o que aconteceu? Nada, nada aconteceu. O mundo não acabou e nenhum príncipe encantado me mandou mensagem (e se tivesse mandado a demora em responder seria até um charme a mais na conquista).

Foi como se essas 12 horas não tivessem basicamente existido pra o celular, ninguém ligou ou passou SMS. Nada aconteceu. E o melhor de tudo, me dei conta que posso sobreviver sem ele, posso aproveitar a vida e o que há de belo nela sem ficar conectada, viciada e enlouquecida com e por ele.

Penso em ficar sem ele por 24 horas, será duro, mas prometo que tentarei. Só não entendo uma coisa, como vivi mais da metade da minha vida sem ele e era tão feliz? Como passei minha adolescência inteira usando orelhão e saía, paquerava e me divertia tanto? Mistérios que em tempos de tecnologia não conseguimos decifrar.

E você, vive sem seu celular? Já conseguiu se desconectar por completo?

Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Passei dos 30, e daí? Solteira ou solitária? Eis a questão!!!

Em Neon: quinta-feira, 5 de junho de 2014



Ninguém é solteira, mas sim está solteira. Solteirice não é característica de nascença, como ser baixo ou alto, como ter a mão grande ou o pé pequeno, é uma opção de momento. Estar solteira não é estar sozinha, que fique bem claro. Estar sozinha é metade incompleta, solidão desenfreada num mar de opções.

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Há quem diga que estar solteira é praticamente um estado de espírito, você opta por estar solteira e ter uma vida livre, leve e solta ou se jogar à uma paixão avassaladora que tira sua paz, tranquilidade e liberdade. Tá bom Gika, você está sendo muito radical, nem todos os relacionamentos tiram a paz e a tranquilidade, nem tudo é 8 ou 80. Concordo com vocês, nem todo relacionamento trás sofrimento e tira nossa paz, mas que ser solteira no Rio de Janeiro é bom, isso não podemos negar.

Estar solteira é aparecer em qualquer lugar a qualquer hora sem ao menos precisar notificar sua ausência ou presença a alguém, você simplesmente sai e chega, vai e volta, sobe e desce, simplesmente está.

Estar solteira é se dar ao luxo de se aventurar em relacionamentos sem compromisso, beijos sem decepção, é deixar fluir como as ondas do mar, é estar com muitos, ou com o mesmo várias vezes, mas no fundo, não criar expectativas ou  ter mágoas. É viver diariamente o desapego, a liberdade plena. Estar solteiro é opção, estar sozinho não.

Estar solteiro é coisa de momento, é opcional, é decisão tomada conscientemente tanto por homens quanto por mulheres em alguns ou vários momentos da vida. Quem disser que todo solteiro é solitário tá mentindo, pois até quem é casado, muitas vezes é solitário! Tem coisa pior que solidão a dois?

Convenhamos que não há companhia melhor que a nossa mesma. Não há solidão pra quem se gosta, se curte, pra quem lê um bom livro, vê um bom filme, está com os amigos de verdade, quem tem uma família sempre presente, ou até mesmo aquela família emprestada, aquela que nos adotou. Não há solidão pra quem tem um animalzinho de estimação.

Pra quem está solteiro como eu, por opção (ou até porque não apareceu a tal pessoa que buscamos), esqueça dia dos namorados, o importante é não ser solitário, é se amar, sair, fazer o que gosta, é afastar a negatividade, as tristezas, as mágoas, se sentir completo sem a necessidade de ninguém. E claro aproveitar cada dia como se não houvesse amanhã e tudo acontecerá na hora certa, quando tiver que acontecer... é sério! Você verá. Os melhores relacionamentos são aqueles que acontecem quando menos esperamos.

Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Estreia: Passei dos 30, e daí? Crônicas bem humoradas de uma trintona

Em Neon: quinta-feira, 22 de maio de 2014



Essa semana está cheia de emoções para o Em Neon, várias colunas estreando, com pessoas diversas e com pensamentos e ideias incríveis. Isso nos deixa muito felizes.

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Apresentamos Gika Mendonça, ela é professora, roteirista e dona do blog “O Mundo de uma trintona”, espaço onde discute as questões nem sempre tão fáceis de digerir e que afligem aqueles que já passaram dos trinta. Aqui, ela irá falar com nossos leitores que já passaram dos trinta ou que estão longe dessa faixa etária, afinal de contas, há situações e questões que são atemporais. Venha fazer parte das aventuras dessa trintona, solteira e enlouquecida que com certeza você vai adorar.

Confira a primeira crônica da coluna "Passei dos 30, e daí?".

Quem nunca? 
Todo mundo um dia passou por uma crise, ou várias, quem nunca? Seja homem ou mulher, alto ou baixo, velho ou novo, gordo ou magro, pobre ou rico, todos, sem exceção, tem momentos de crise na vida. Às vezes as crises se acumulam em vários setores da vida ao mesmo tempo. Parece que uma crise vai atraindo outra e mais outra e quando nos damos conta o surto é total e inevitável.

Quem nunca teve uma crise de idade?

Tenho que confessar que ser mulher, solteira, sem filhos, morando com os pais e ter mais de 35 anos, ainda que estejamos em 2014, não é nada fácil. Esse papo de que todos falam por aí que os 40 anos são os novos 20, na teoria é lindo, mas, e na prática? E os 30 anos, são os novos o que? E a lei da gravidade que começa a agir após os 30? E o prazo de validade para engravidar que deixa as trintonas desesperadas? E aquela tia sem noção? Nem vem dizer que você não tem uma porque todos nós temos, daquela espécie de tia que mal te vê e já sai perguntando: - vai casar não?  - Vai ter filho quando? – Você só trabalha menina? Ou então afirma: - seu problema é que você não sabe cozinhar, homem se pega pela boca, ou ainda, - terminou o namoro de novo? Assim você vai ser a única da família sozinha. (como se todos da família estivessem felizes, realizados, bem casados e como se o casamento ou a quantidade de filhos resolvessem todas as crises e os problemas da humanidade).

Quem nunca teve uma crise sentimental?

Quem nunca amou e não foi amado?

Quem nunca quis sumir do mapa e mudar de cidade, país, planeta?

Quem nunca quis mudar radicalmente de profissão, jogar tudo pro alto e recomeçar uma nova história?

Quem nunca?

Questionar-se e surtar de vez em quando, ou no meu caso, sempre, faz parte do ser humano e é até de certa forma produtivo. As crises te fazem refletir, repensar e rever muitas coisas que, de alguma forma, não estavam funcionando muito bem e isso é essencial na vida de qualquer pessoa, trintona ou não.

E o principal, deixa aquela tia falando sozinha, o importante é ser feliz, do seu jeito, no seu tempo e como for melhor pra você. Você comanda sua vida e escolhe seus caminhos. E as crises, quem nunca?

Por: Gika Mendonça

Gika é professora, blogueira, trintona, doutoranda, roteirista, devoradora de chocolate amargo, livros da Martha Medeiros e filmes antigos. Graduada e Mestre em Letras pela UFRJ, divide seu tempo ministrando aulas de espanhol, estudando para pós e na manutenção do seu blog “O Mundo de uma trintona”. Trabalhou como assistente de Doc Comparato com quem fez seu primeiro curso de roteiro na AICTV. Estudou também com outras feras do roteiro Fausto Galvão, Ingrid Zavarezzi e Vitor de Oliveira.

 
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