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sábado, 27 de junho de 2015

Cool Pop Cult: Poltergeist 2015

Em Neon: sábado, 27 de junho de 2015


Remakes são fadados ao amor ou ódio, em parte pela memória afetiva que os originais nos proporcionam ou mesmo por desvirtuarem os originais, e comparações são inevitáveis, especialmente quando se trata de um clássico.

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No caso deste Poltergeist, apesar de manterem grande parte da história original, nada funcionou muito bem.

O primeiro erro foi mudar o nome da principal personagem, Caroll Anne, que no original era uma menina simpática e loira, agora é uma garotinha com cabelo bem negro e que se chama Madison. Outro personagem que marcou o original foi a vidente Tangina, vivida pela atriz Zelda Rubinstein, que no remake é substituída por um ator sem muito carisma. Tangina, como Caroll Anne eram praticamente o que havia de mais marcante na trilogia original.

Mas a cena da árvore e do palhaço continuam lá, assustadoras, felizmente! Desta vez Carol Anne, ou melhor, Madison não vai para a luz, Madison FOGE da luz, acreditem.

Faltaram também uma construção do clima, a direção, roteiro e atores pecam nisso, não nos envolvemos com a família, não sentimos medo do que está acontecendo, nem eles.

Os efeitos satisfizeram, mas era o esperado, afinal vivemos numa época que a tecnologia está aí para isso. Até mesmo o 3D não é tão bem explorado, nem mesmo a onipresença de eletrônicos com telas que temos no filme e na vida atual.

Não dava mesmo para recriar um roteiro original de Spielberg e uma direção de Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica), no máximo entretém, assusta os mais novos, mas decepciona quem conhece o original.

Os diálogos pontuados por humor não fizeram bem ao filme junto à família extremamente estereotipada.

Vale como diversão, mas é daqueles filmes que a gente esquece alguns minutos após sairmos da sala de cinema.

Um filme de terror que não assusta.

Fotos: Divulgação

Por: Raí Costa Filho - CLIQUE AQUI e leia mais artigos de Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.



sábado, 16 de maio de 2015

Cool Pop Cult: Mad Max - A Estrada da Fúria

Em Neon: sábado, 16 de maio de 2015


Esqueça o medo, não é um remake, nem apenas um reboot caça-níquel de uma famosa franquia, como tem virado tradição em Hollywood.

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É  um filme completamente novo, o primeiro de três que já estão previstos, somados a mais um que contará a história da Imperatriz Furiosa, vivida impecavelmente por Charlize Theron, em sua melhor forma, talvez a verdadeira heroína do filme.

Não temos Tina Turner cantando “We Don’t Need Another Hero”, nem um jovem e carismático Mel Gibson. E nem foi necessário.

O Mad Max vivido por Tom Hardy não perde o posto de justiceiro, fala pouco, mas luta incessantemente contra seus traumas e seus algozes.

As mulheres roubam a cena, o olhar que domina é o feminino, bem notado nas “parideiras” resgatadas pela Imperatriz: uma negra, uma loira, uma ruiva, uma morena e uma albina. O universo feminino é bem representado, adicione aí as guerreiras idosas.

Nos 120 minutos de ação continua e devastadora, tendo como cenário o  belíssimo deserto da Namíbia, George Miller - roteiro, direção e a mente responsável pelo universo de Mad Max - consegue levar o cinema de ação a um novo patamar, sem ser repetitivo, dando frescor e impactante sentido àquele universo que já conhecíamos e que quase havíamos esquecido. As crianças albinas, os carros bizarros e as perseguições continuam lá.

Cenas de ação extremamente bem dirigidas e o uso inteligente da computação gráfica (dizem que ele usou apenas 20% de efeitos especiais e abusou dos dublês e cenas reais) revelam sequências avassaladoras com impacto e  beleza visual ímpar de destruição e luta, quando mal conseguimos nos recuperar de uma sequëncia, somos surpreendidos por outra ainda mais chocante!

Nas entrelinhas há a crítica às religiões e sua cegueira causada pela busca de uma recompensa noutra vida, através da total entrega aos líderes.

Não é apenas a luta pelo petróleo e água, é a luta pela liberdade e a busca por um lugar onde possam recomeçar. Mas será que há recomeço após o fim de tudo?

Valeu à pena esperar 30 anos, George Miller superou sua própria criação.

[5\5]

Fotos: Divulgação

Por: Raí Costa Filho - CLIQUE AQUI e leia mais artigos de Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cool Pop Cult: Touko Laaksonen - o homem por trás do Tom da Finlândia

Em Neon: segunda-feira, 4 de agosto de 2014


Tom of Finland - Dia e Noite - Guache no papel

"Trabalhei arduamente para ter certeza de que os homens que desenho têm orgulho pelo sexo que praticam e estão felizes por fazê-lo!".

Ser gay na Finlândia não era fácil, buscas policiais frequentes eram responsáveis pela prisão de milhares de gays e seus nomes eram publicados nos jornais locais, muitos não aguentavam a pressão e cometiam suicídio.

Nascido em 1920, o tímido Touko Laaksonen (foto) não se deixou abater pelas circunstâncias e seguiu em frente.

Talentoso precoce, com apenas 5 anos já desenhava tiras em quadrinhos e tocava piano, tudo incentivado pelos pais, que eram professores. Mas secretamente desenhava homens nus com botas, em plena infância, influenciado pelos trabalhadores de campo e lenhadores, e especialmente por um garoto musculoso da vizinhança chamado Urho, que nunca saiu de sua memória.

Estudou propaganda na escola de arte em Helsinki, tendo o universo masculino ampliado pela presença de novos tipos: trabalhadores do porto, marinheiros e policiais.

Veio a Segunda Guerra Mundial e os militares trouxeram novas influências para seus desenhos e também para sua vida sexual. Mas ao final da guerra voltou à sua rotina de desenhos, fantasiando neles seus desejos mais secretos. Voltou a trabalhar com desenho de moda, propaganda e a tocar piano em bares e festas.

Aos 33 anos conheceu Veli, que foi seu companheiro por 28 anos e incentivador de sua arte.


“Tom” foi o pseudônimo que usou para enviar, despretensiosamente, seus desenhos para a Physique Pictorial, revista americana que retratava homens musculosos. E foi o início do seu sucesso, sendo destaque na capa da edição da primavera de 1957.

Com o aumento da demanda por sua arte erótica, Touko largou o desenho publicitário, a música e passou a se dedicar apenas à arte da pintura e desenhos.  Aprimorando sua técnica, que chegava a ser comparada com a fotografia, de tão realista, ambientada num universo homoerótico inédito para a época.


Tom é o personagem mais famoso da Finlândia
Em 1973 teve seus trabalhos roubados em sua primeira exposição de arte, em Hamburgo e somente em 1978 chegou à América, através de uma exposição em Los Angeles, responsável por convites de novas exposições de sucesso em São Francisco e Nova Iorque, transformando o tímido artista numa celebridade gay internacional, com o merecido reconhecimento de seu público e da crítica especializada, responsabilidade também de seu empresário, o canadense Durk Dehner.

Em 1981 ele perde seu companheiro Veli, vítima de câncer na garganta, numa época na qual a epidemia da Aids crescia assustadoramente. Tom divide seu tempo entre Helsinki e Los Angeles, mas diminui suas viagens a partir de 1978 devido a um enfisema. Volta a desenhar com lápis pastel devido à tremedeira e reações dos medicamentos. Falece em 7 de novembro de 1991.

Criada em 1986 em Los Angeles a Tom of Finland Foundation é uma organização sem fins lucrativos responsável por preservar e catalogar sua obra, promover eventos diversos e exposições em galerias e museus, e também dar apoio a novos artistas de arte erótica, especialmente os que tiveram seus trabalhos tratados sem seriedade, independente da sua sexualidade. A fundação também está criando um Museu de arte erótica homossexual, heterossexual, bissexual, que contemplará toda a diversidade possível da sexualidade humana, com espaço para a venda de obras, fruto de um sonho de Tom, que era ajudar os outros artistas oferecendo um local para exibição e venda de arte erótica.

Um dos selos que serão lançados em setembro
O serviço postal da Finlândia (Itella Posti Oy) lançará em setembro deste ano selos comemorativos em homenagem à arte homoerótica de Tom of Finland, e junto com eles abrirá a exposição “Sealed with a Secret: Correspondence of Tom of Finland” de setembro deste ano a março de 2015 no Museum Centre Vapriikki, onde serão expostas cartas do artista.

Mas as homenagens, não param por aí, o filme “Tom. From Finland. With Love” está em plena produção com previsão de lançamento para o ano de 2015. Por ser uma produção independente, não há vínculos com a Tom of Finland Foundation e, além da fantástica biografia (não autorizada) de Touko, mostrará o lado negro da violação dos direitos humanos na Finlândia, imperdível!

Veja o teaser do filme "Tom. From Finland. With Love", abaixo:



A colaboração da arte erótica de Tom of Finland vai além do fetiche provocado por seus desenhos, através deles tivemos a recuperação e reforço da auto-imagem do homem gay livre, além do que a sociedade rotulava e o resgate e exibição de algo que estava restrito aos guetos ou ao anonimato de seus  praticantes, num mundo onde o prazer não estava vinculado à culpa, e sim à aceitação mútua e satisfação, vergonhoso seria não satisfazer suas próprias fantasias.

Viva Tom!

Por: Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cool Pop Cult/Cinema: Filme 'Hoje eu quero voltar sozinho' mostra jovens descobrindo o amor, conquista público e crítica

Em Neon: sexta-feira, 18 de abril de 2014

De curta a longa, o encontro de três jovens e a descoberta do amor 

“Nem todo amor nasce à primeira vista!”
Hoje eu quero voltar sozinho:
Fruto de uma pequena produtora independente (Lacuna Filmes) e ganhador dos prêmios Fipresci (Prêmio da Crítica Internacional) e o Teddy Bear (que premia filmes com temática ou personagens GLBT) no Festival Internacional de Berlin, em fevereiro deste ano, mostra de forma terna e sensível, sem forçar e nem ser militante, o encontro de três jovens e a descoberta do amor entre eles tendo como centro, o jovem cego e homossexual, que lida com tudo da forma mais natural e bela, fugindo de qualquer julgamento que suas limitações poderiam sugerir. Como qualquer adolescente, ele quer se libertar da superproteção familiar e seguir seu caminho.

O roteirista e diretor do filme, Daniel Ribeiro, consegue produzir uma sequência lógica, sem perder o encanto do curta e elevando a história a um patamar superior. O otimismo vence a rebeldia e as incertezas, e o público sai da sala com a sensação de que poderiam ser duas meninas ou um menino e uma menina, poderiam ser os três, mas a bela condução faz com que o fator determinante seja apenas a felicidade do encontro e não o gênero dos personagens. Merece destaque a caprichada e acertada trilha sonora que inclui de Belle & Sebastian a Bowie e vai além disso, graças a delicadeza com que a história é contada e, mesmo o filme sendo a evolução do curta de 2010, “Eu não quero voltar sozinho”, não ficou apenas uma versão estendida do curta, não “encheram linguiça” para que ele virasse um longa metragem e ampliaram a história dando mais ênfase na rotina da vida dos estudantes adolescentes, afinal quem nunca se apaixonou na sala de aula?



Confira o trailer oficial do filme: “Hoje eu quero voltar sozinho”


Curiosidades do curta:

“Eu não quero voltar sozinho”, conseguiu em 17 minutos, conquistar elogios da crítica e acumular mais de 80 prêmios em festivais nacionais e internacionais. 
O trio principal do curta é formado pelos mesmos atores no longa, Ghilherme Lobo, Fábio Audi e Tess Amorim. 
Só no Youtube o curta já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas. 


Enquanto você não assiste ao filme confira o curta “Eu não quero voltar sozinho”:


Por: Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.

sábado, 29 de março de 2014

Cool Pop Cult/Televisão: Looking... Falta diversidade na série que mostra três amigos gays

Em Neon: sábado, 29 de março de 2014


Pôster de divulgação da Série Looking 

“Queríamos fazer uma série sobre três gays vivendo suas vidas. Uma hora vamos falar sobre preconceito, mas a ideia era mostrar seus sentimentos e sua relação íntima com a sexualidade”.
Andrew Haigh –  um dos criadores da série

As lembranças de “Queer as Folk” e as onipresentes comparações com “Girls” são inevitáveis ao se assistir o novo seriado gay da HBO, mas as “coincidências” param por aí. A narrativa é outra, mais lenta e não espere as ousadias de QAF. Podemos viver uma nova realidade, mas ainda temos muito pelo que lutar.

Looking é um seriado mais enxuto (clean demais), nele o cotidiano de três amigos: o designer de vídeo game Patrick (Jonathan Groff – O Jesse de Glee), o artista Agustín (Frankie J. Alvarez) e Dom (Murray Barlett)  é retratado de forma bem realista para gays que já conquistaram seu lugar numa sociedade, que não os olha com tanto preconceito, ao menos a sociedade na qual eles vivem, em São Francisco, Califórnia, a cidade mais gay-friendly do mundo!

O trio de gays vive uma primeira temporada morna, mas a segunda promete emoções
Não precisam mais lutar pela aceitação, trabalham (embora não sejam totalmente bem sucedidos em suas carreiras) e não precisam mais se esconder em guetos. Lidam com paqueras, reinícios, crises da idade e desafios profissionais.

O sexo é presente e não tão ousado quanto em “Queer as Folk”, mas um dos trunfos do seriado, que teve apenas oito episódios de 30 minutos em sua primeira temporada (já renovada para segunda), é  a naturalidade (?) com que mostra a vida de seus protagonistas, mais humanos e próximos de nós mesmos, através de uma bela fotografia e da excelente atuação do elenco, cuja escolha foi acertadíssima.

O seriado não levanta bandeiras, oferece entretenimento leve e despretensioso, mostra um gay “pasteurizado” e pronto para ser entendido, amado e aceito por todos, não chocaria nem o mais preconceituoso dos amigos. E isso é o que me incomoda. É tudo muito bonitinho, feliz e doce, heteronormatizado demais.  Se mudássemos a orientação sexual dos protagonistas, seria mais um seriado comum de jovens adultos vivendo sua rotina numa grande cidade.

Falta a diversidade, todos são muito parecidos, claro que em tão pouco tempo não poderiam mostrar mais de um mundo tão restrito quanto o de três amigos. Ainda assim recomendo, afinal a guinada no último episódio da primeira temporada mostrou para onde o seriado vai e vai bem! Vejo um futuro promissor! Aguardemos.

Assista a primeira temporada completa on line AQUI.

Confira abaixo o trailer da série:



Por: Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Cool Pop Cult/Televisão: True Detective comprova o sucesso das séries de TV

Em Neon: quarta-feira, 19 de março de 2014

True Detective
“A TV está melhor que o cinema há pelo menos 10 anos.”
Nic Pizzolatto – Criador da série.

A morte de uma garota e meio a estranhos rituais investigada durante dezessete anos pelos detetives Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson), tendo como cenário o estado de Luisiana, teve seu fim no dia 09/03, em mais um episódio impecável exibido pela HBO e produzido com maestria pelo escritor Nic Pizzolatto (ex-professor universitário com pouquíssima experiência televisiva, publicou dois livros, um deles premiado pela Academia Francesa de Letras).

Em apenas oito episódios a série mostra a busca a um serial killer cujos crimes começaram nos anos 90, e entrelaça flashbacks à investigação nos dias atuais, mas vai além disso,  é quase um Twin Peaks com os pés no chão.

O autor/produtor se recusou a entregar suas histórias para roteiristas e produziu ele  mesmo o seriado com o apoio da HBO e direção/produção executiva de Cary Joji Fukunaga.

O resultado é um sucesso instantâneo e nada descartável. Pizzolatto já está escrevendo a segunda temporada, que não terá os mesmos atores, nem mesmo os mesmos personagens, serão três e totalmente diferentes de Rust e Hart.

Recomendo [5/5]

Veja fotos e vídeos no Instagram oficial da série:


Por: Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.

sábado, 8 de março de 2014

Cinema: Seguindo a tradição dos remakes, nova versão de RoboCop não convence

Em Neon: sábado, 8 de março de 2014


A nova versão de RoboCop que estreou no Brasil em fevereiro parece não ser nada fiel à versão original. Talvez a excelente atuação de Joel Kinnaman (RoboCop) seja o que salva o remake desse clássico de ação sem muita ação. Por se tratar de um remake, comparações com o original são inevitáveis.

Aliás, esqueça a ação, não que não a tenha, mas o filme inteiro se passa em função do drama familiar do policial que desta vez não é metade máquina e metade homem, é 80% máquina mesmo.
E do âncora do jornal que aparece mais que o próprio robô.

Eu que esperava um filme mais violento que a versão do Paul Verhoeven (RoboCop 1987 - foto), que tive o prazer de assistir várias vezes no cinema, saí da sala um tanto quanto frustrado, não pelo remake em si, mas pelo fraco roteiro. Mesmo com tantos atores de peso (o elenco conta com Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish e Samuel L. Jackson).
Ah! Lá no início eu achei que o capacete do novo RoboCop tem um quê do Alien, criação do pintor surrealista H. R. Giger, impossível não lembrar dele...

Em relação ao RoboCop de 1987, temos a premissa conhecida do policial competente que sofre um atentado e é mantido vivo como máquina (o atentado ao policial é bem ameno em relação ao original). A diferença que Padilha traz são os muitos coadjuvantes criados, não apenas como peças funcionais para a trama, mas principalmente como tópicos de debates paralelos: o cientista em crise com a criação (a questão da ética científica e da robotização, sem citar as leis da robótica), os policiais (com a crítica à corrupção policial), o âncora de TV reacionário e polêmico (influência da mídia, super atual), os industriais com seu departamento de marketing (o consumismo e a manipulação da opinião pública).

A afetação e o discurso do personagem de Samuel L. Jackson cansa (é a Sherazade deles), e talvez seja o que há de pior no filme.

“É um amontoado ensurdecedor e maçante de cenas de ação que estão mais para [os jogos eletrônicos] 'Call of Duty' do que para ‘RoboCop’”, segundo o jornal inglês “The Guardian”. E eu concordo com ele! Muito barulho para pouca história.

Nota: [2/5]
Como diria o Bino (Carga Pesada): fuja, é uma cilada! Mas veja no cinema e tire suas conclusões, claro!

Sinopse:
Em um futuro não muito distante, no ano de 2028, drones não tripulados e robôs são usados para garantir a segurança mundo afora, mas o combate ao crime nos Estados Unidos não pode ser realizado por eles e a empresa OmniCorp, criadora das máquinas, quer reverter esse cenário. Uma das razões para a proibição seria uma lei apoiada pela maioria dos americanos. Querendo conquistar a população, o dono da companhia Raymond Sellars (Michael Keaton) decide criar um robô que tenha consciência humana e a oportunidade aparece quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, deixando-o entre a vida e a morte.

Trailer:




Por: Raí Costa Filho

Raí Costa Filho é analista de TI, DJ nos finais de semana e feriados (há quase 20 anos), produtor da festa Bizarre Love Triangle (há 12 anos em Brasília) e DJ na festa Cerrado Bears. Cinéfilo desde sempre, apaixonado por fotografia, design e arte.

 
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