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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Entrevista EXCLUSIVA: Luis Lobianco - Inusitado, multifacetado e brilhante

Em Neon: quinta-feira, 1 de outubro de 2015


Ele não é loiro de olhos azuis, nunca foi "BBB", não protagonizou uma trama do horário nobre, não foi capa da Vogue e nem é a “bola da vez”, mas se você ainda não ouvir falar dele, certamente em breve ouvirá e o verá com seus próprios olhos e ouvidos.

O ator e roteirista Luis Lobianco é desses que tarda (ou não), mas não falha.

Seu talento tem a cara (ou carão) do nosso vizinho, do melhor amigo da fulana, do cara ali da esquina, da desvairada debochada que faz um selfie atrás do outro e definitivamente, é da nossa gente para a nossa gente.

Não é atoa que seu trabalho tem se destacado e arrancado uma verdadeira explosão de sentidos em quem o assiste.

Seja na web, através do "Porta dos Fundos", no hilário “Cabaré On Ice”, como o "Sr. Gonzales", na Fox, em “Portátil”, espetáculo de improviso do qual faz parte, em filmes como "Made in China" e "Tim Maia", entre tantos outros trabalhos sensacionais, Luis chegou para ficar e vai longe.
Já consagrado como ator, recentemente, Luis mostrou seu lado roteirista no programa "Esquenta", de Regina Casé.

Viajando na velocidade da luz, Lobianco faz tanta coisa ao mesmo tempo, que alcançou o respeito e a admiração, quase unânime, do público, crítica e dos colegas de trabalho.

No início de setembro, em uma bela manhã de domingo, fomos fotografar o rapaz pelas ruas da Lapa, bairro em que vive feliz. Simpático, extremamente simples e criativo, seu único pedido foi: “vamos evitar os cartões postais”.

A cada clique, Lobianco brinca com a sensualidade exagerada, o olhar sedutor que tenta ser convincente, aquela expressão ampliada para algum sentido que o faz rir de si mesmo.
Deste dia memorável em que fotografamos o ator, surgiu a oportunidade de entrevistá-lo, e o resultado você confere abaixo:


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Em Neon: Qual é a sua formação? Você estudou artes dramáticas ou é um artista nato? 
Luis Lobianco: As duas coisas. Comecei a estudar teatro aos 12 anos (1994) com o grupo Historiarte e com 18 anos entrei na escola de teatro para me profissionalizar definitivamente. Mas desde muito pequeno me interessava por artes: carnaval, desenho e música. Sabia e reproduzia de cor as falas de filmes e novelas e as apresentações de fim de ano na escola eram pra mim o dia mais importante da vida: desde apresentar a peça "Os Saltinbancos" para os pais, até participar de concurso de lambada.

EN: Você praticamente está em todas as áreas do entretenimento. Um verdadeiro showman. O que veio primeiro, teatro, cinema, TV ou a Internet? 
LL: O teatro veio muito antes de tudo. Fiquei fazendo somente teatro por quase 20 anos e foi quando apareci no “Porta dos Fundos” que fui convidado para atuar em outras áreas. Não conseguiria deixar de fazer teatro nunca.

EN: Como você entrou no “Porta dos Fundos”? Imaginou que conseguiriam o sucesso que o grupo é até hoje? 
 LL: Há 10 anos conheci o Ian SBF, diretor e um dos fundadores do Porta dos Fundos, durante um espetáculo que eu fazia em Ipanema. Ele me viu e me convidou para filmar um longa de baixo orçamento. Topei na hora. Por muito tempo ficou o desejo de trabalharmos novamente juntos e em 2012 ele lembrou de mim para integrar o elenco do Porta. Obviamente que queríamos bombar com o canal desde o início mas nunca imaginamos que ele se tornaria um dos maiores canais de internet do mundo.

EN: Do “Porta” veio a produção teatral “Portátil”, que em setembro estará no Rio de Janeiro. Vocês viajaram muito antes de se apresentar no Rio, por quê? 
LL: As plateias fora do eixo Rio e São Paulo são ávidas por teatro e cultura. Tudo fica muito concentrado no Sudeste e quando saímos daqui somos recebidos com calor e muitos mimos! “Portátil” é um projeto muito desafiador em todos os níveis e ganhar essa confiança em plateias tão calorosas foi definitivo para o processo. Além disso, a ideia de "Portátil" é justamente ter algo que possa ser carregado para qualquer lugar. É o “Porta dos Fundos” saindo da tela e encontrando o público no lugar onde ele mora. Esse ano ainda vamos viajar muito mais!

EN: É um espetáculo de improviso e um grande desafio, a ideia veio do grupo? Beberam na fonte do “Teatro Esporte” do Keith Johnstone ou não? Fale-nos mais sobre o “Portátil”. 
LL: O “Porta dos Fundos” está se expandindo para todos os lados. Filmamos para a FOX recentemente, temos alguns projetos pra cinema, web séries, o programa de viagens do Porchat, além das clássicas pílulas semanais de humor. Portátil vem dessa agitação artística dentro do canal. Muitos de nós viemos do teatro e o “Portátil” é uma ótima oportunidade para voltarmos pra lá juntos. O "Teatro Esporte" dá base para muitas técnicas de improviso e nos ensaios não poderíamos deixar de falar dele. No nosso caso optamos por desenvolver uma estrutura própria em formato longo, ou seja, não apresentamos jogos de improviso, mas sim, um espetáculo de uma história só: com primeiro, segundo e terceiro ato. Dentro disso, absolutamente tudo é improvisado: criamos a dramaturgia na frente do público, nos editamos, luz e som feitos na hora e os personagens também. É uma experiência única para o público a cada dia e nosso maior compromisso, mais que fazer rir, é contar uma história com o cuidado que ela merece. A plateia nos empresta voluntariamente suas memórias. É sempre engraçado mas também muito poético e emocionante. Em muitas sessões vamos todos às lágrimas. Tratamos tudo que é contado com muito amor e respeito. “Portátil” é uma celebração da vida pelo teatro!


EN: Não podemos deixar de falar do seu sucesso no “Buraco da Lacraia”, como aconteceu esse “boom”, que transformou o Buraco em um lugar Cult? 
LL: A ocupação teatral no cabaré Buraco da Lacraia aconteceu um pouco antes do “Porta dos Fundos” nascer. Éramos um grupo de atores cheio de energia pra trabalhar e para a diversão. O ambiente teatral no Rio pode ser bem hostil, falo dos altos preços de aluguel de teatro até os projetos contemplados por editais - que na maior parte das vezes sai para um grupo determinado de artistas. Naquele momento decidimos que bancaríamos a nossa felicidade artística fora de um teatro convencional e fomos acolhidos pelo Adão Arezo, dono da casa, que também é um tradicional club GLS carioca. No início tudo era tão despretensioso que ensaiamos para apenas 4 apresentações. Estreamos e o público que presenciou o surgimento daquilo implorava pra que não parássemos. Entendemos aos poucos que tínhamos criado, sem querer, mas com muita paixão, algo absolutamente inédito, cult, agregador e com um discurso poderoso e necessário em tempos de intolerância e fundamentalismo. Fomos imediatamente abraçados por muitos padrinhos, a mídia e um público muito fiel e heterogêneo. Logo, o Buraco já tinha virado um hit para a classe artística. Hoje o espetáculo já acontece há mais de 3 anos às sextas-feiras, na Lapa, e já estamos no segundo musical criado ali. Somos uma família e amamos o que acontece ali toda sexta-feira envolvendo tantas pessoas.

EN: Cinema é outra área que você vem se aventurando bastante e com grandes nomes, Irene Ravache e Regina Casé, por exemplo. Como é atuar ao lado de atrizes experientes como elas? Dizem que a Regina é difícil de lidar, você teve problemas com ela?
LL: Além de tudo eu tenho a sorte de estar em ótimas companhias! Eu me sinto tão bem no ambiente do cinema que é como se eu estivesse na intimidade do meu quarto. Adoro aquele ritmo e as diárias que são exaustivas. Há ali um espírito de igualdade que encanta. Toda equipe almoça no mesmo espaço: do diretor ao estagiário. E é possível que no fim de uma jornada de 12 horas de trabalho ainda haja ânimo pra equipe tomar uma cervejinha e relaxar. Essas grandes atrizes são o que são justamente porque vivem todas essas experiências, se misturam e amam o que fazem. São gigantes na arte, mas no trato a relação é de igual pra igual. Regina Casé foi uma amiga que fiz no cinema e abriu as portas da sua casa pra eu entrar - filmamos juntos o longa “Made In China” no fim de 2013. Fiquei amigo não só dela mas de toda a família, a Casé e a “Esquenta”. A fama de difícil sempre é dada, injustamente, a quem batalha muito pelo que acredita e não arreda pé. Regina é alvo de calúnias por ser uma porta-voz da cultura que a periferia produz e também luta pela preservação da natureza. Se no mundo só existissem difíceis Reginas tudo seria muito mais fácil, pode crer!

EN: Foi desse filme que veio o convite para roteirizar o “Esquenta”?
LL: Sim. Durante as filmagens eu contribuí com o roteiro do longa e também criávamos muita coisa antes de rodar as cenas. A Regina achou que eu tinha a ver com o “Esquenta” e lá fui eu. Foi uma escola! Na TV tudo é muito rápido e muda a qualquer momento. Fiquei super descolado em não me apegar a ideias e não ser dependente de inspiração pra criar. O negócio é sentar a bunda pra escrever e uma hora vem coisa boa. Minha participação no ar foi a parte mais difícil, porque é um programa com muitas atrações da vida real. A dramaturgia pode soar artificial num ambiente tão festivo. Com o passar do tempo achamos um formato que deu certo mas infelizmente eu tinha projetos fora da emissora. Ficou a amizade, muito carinho por aquela equipe talentosíssima e muito aprendizado sobre a TV.

EN: Você tem grande destaque na TV também. Tem um novo projeto para a Fox, “O Grande Gonzales”, nos fale sobre ele.
LL: “O Grande Gonzalez” é uma série produzida pelo “Porta Dos Fundos” em parceria com a FOX. É uma grande produção e estamos muito orgulhosos desse trabalho. Eu fui convocado para viver o Gonzalez, protagonista dessa história. É bem em cheio o nosso humor e o elenco do “Porta” está em peso ali, personagens incríveis. Gonzalez é um mágico de festas infantis e durante um número ele é sabotado e assassinado na frente das crianças. A partir daí todos são suspeitos e a série é sobre quem matou o Ilusionista. Estreia em novembro na FOX.

EN: E o que vem por aí? É verdade que vocês farão um filme oficial do “Porta dos Fundos”? E o “Portátil” quais as próximas apresentações? 
LL: Começaremos a filmar em 2016 e o “Portátil” vai passear bastante pelo Brasil ainda esse ano e também no próximo. Temos planos para fazer o filme do “Buraco da Lacraia” em parceria com o “Porta”, já estamos roteirizando!

EN: Entrando na intimidade de Lobianco... Nos diga como você lida com sua sexualidade?
LL: Muito naturalmente, como todo mundo. Sexo tem que ser divertido e saudável pro corpinho e a cabeça. Estou num momento de muito trabalho e correria na minha vida e não há nada melhor do que privacidade e intimidade com a pessoa que a gente ama.

EN: Sua infância foi tranqüila? Você sofreu bullying? 
LL: Tive uma infância muito agitada pro lado bom e ruim. Sempre adorei brincar na rua, fazer bagunça com os primos, me fantasiar no carnaval, adorava conversar e rir com os adultos e velhos. Também adorava comer! Essa era a parte boa. Mas tive perdas de pessoas muito próximas que fizeram eu deixar de ser uma criança precocemente, fiquei muito independente cedo. Na época, essas perdas definiram um pouco a minha rotina e tive que me mudar de cidade e escola muitas vezes, o que pode ser bem difícil pra uma criança. Acabei virando uma criaturinha descolada e não fui um alvo de bullying. Já era político desde cedo. É óbvio que sempre tem um folgado que quer tirar onda com você, mas por ser uma criança calejadinha já usava o humor muito a meu favor: defesa e esperteza!

EN: Você é casado? Como lida com o assédio dos fãs? Rola muita proposta indecente? 
LL: Sou casado há 3 anos. O assédio é divertido. Não sou um galã de novelas mas tenho meu charme. Não rola muita proposta indecente, quem chega vem sempre com bom humor e muita gente já sabe que sou casadíssimo!

EN: Você é militante? Por quê? 
LL: Sou militante através do meu trabalho. Quando eu estava me formando tinha a ansiedade de querer me engajar em alguma causa específica. Com o passar dos anos vi que através do teatro trabalhei com crianças abandonadas, adolescentes grávidas, pacientes de psiquiatria e crianças com câncer. Hoje faço o “Porta dos Fundos” e o “Buraco da Lacraia”, ambos levantam a bandeira da liberdade e da diversidade. Ali não rimos do oprimido. Das minorias vêm os nossos heróis. A gente ridiculariza o opressor. O grande vilão do Brasil de hoje é o intolerante e o fundamentalista. Me sinto muito feliz por poder falar disso nas minhas redes sociais e no meu trabalho todos os dias. Sendo mais objetivo na resposta: sou um militante de todas as liberdades que temos direito para mulheres, gays, transexuais, negros, índios, obesos, pobres: SOMOS TODOS IGUAIS!

EN: O que você acha das Paradas LGBT ?
LL: Acho incrível que no Brasil a gente tenha algumas das maiores Paradas do mundo. O que acontece em dias como esse é que o LGBT é enxergado. Em São Paulo a festa toma conta de uma das maiores avenidas do país e vira notícia no mundo todo. Essa é a tal visibilidade a ser conquistada e precisa haver Paradas até o dia em que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais sejam enxergados, não só durante o evento anual, mas todos os dias: no mercado de trabalho e no cotidiano. As classes que sofrem violência precisam muito se unir e fazer barulho porque o lado do ódio está muito junto e articulado. O mais assustador da ignorância é que ela não duvida em nenhum segundo dos seus fundamentos.

Fotos: Eduardo Moraes / Maurício Code / GShow / Facebook Lobianco / Reprodução Internet

Introdução; Maurício Code
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Eduardo Moraes é jornalista formado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) além de fotógrafo há 15 anos. Em seu curriculum estão o Jornal e Site Abalo, a Exposição O "T" da Questão e o Livro Avesso - Meu Lado Certo. Atualmente é editor-chefe do site www.EmNeon.com.br
 
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