De Carlos Gardel a Carlos Cachaça. Nascida no berço do mito do tango, a sambista argentina Ale María vai mostrar no palco do Museu do Samba, na Mangueira, escola que teve entre os fundadores o grande bamba, tudo o que aprendeu do gênero musical pelo qual se apaixonou a aprendeu a chamar de seu. A cantora apresenta o show “O samba nasceu em mim” no dia 10 de março, celebrando a realização de um sonho.
“Quero mostrar pra galera do samba que esse é o meu caminho”, conta a sambista, que juntou dinheiro para se apresentar no Museu do Samba e vai apresentar seu trabalho com a cara e a coragem.
O show tem canções de Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, João Nogueira, Martinho da Vila e Fundo de Quintal. Ale María também mostra seu lado compositora em “Meu canto” e “Quem te falou?”, esta última um samba sobre empoderamento, em que uma mulher resolve se valorizar e deixar de sofrer por um relacionamento que não valia a pena.
Um dos xodós da cantora, além dos clássicos, é a canção “Paisagem”, composta por Arlindo Cruz. Um dia, a cantora teve a oportunidade de conhecer o bamba. Ele estava em casa, de chinelo, sem camisa. Quando ela pediu uma música para gravar, ele pegou o violão e mostrou a canção.
“Na hora, eu comecei a chorar”, recorda-se.
Ale María é grata a Toninho Geraes, que deu força e apoio para que ela batalhasse seu sonho. E que batalha. Ela ainda era uma argentinazinha, morando perto da fronteira com Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, quando começou a ver apresentações de escolas de samba na argentina, adaptando sambas-enredo em espanhol. Foi paixão à primeira vista, ou melhor, à primeira ouvida. Na adolescência, começou a desfilar nas escolas. Na juventude, foi estudar Medicina na capital, Buenos Aires, e chegou até a trocar de curso para fazer Música-terapia. Mas o batuque soou mais forte em seu coração.
“Um dia, um primo me levou pra ver uma roda de samba em Palermo (bairro de Buenos Aires). Eu só conhecia as escolas. Ali vi o samba raiz e me apaixonei”.
Em 2016, a cantora se mudou de mala, cuia e cachorro para o Rio. O nome do bichinho? Xangô. Ela conta que já conhecia a cidade, porque vinha sempre de férias. E voltava branca para a Argentina.
“O pessoal perguntava se eu não tinha ido à praia. É que eu priorizava as rodas de samba, ia de três a quatro por dia”, lembra.
A sambista começou a mostrar seu talento com força em 2018, quando passou a comandar uma roda às segundas-feiras no bar Taberna da Vila, no chamado Quadrilátero do Samba, em Vila Isabel, bairro em que mora hoje em dia. O público se surpreendia e se surpreende até hoje.
“Quando eu canto, ninguém percebe nada. Mas quando falo, aí notam que sou argentina”, diverte-se.
Para se virar no Rio enquanto tentava realizar seu sonho de viver como cantora, Ale María fez de um tudo. Vendeu bijuteria na praia, depois passou a fabricar suas próprias peças, e foi dando seu jeito, como uma boa carioca de adoção.
Serviço:
O samba nasceu em mim
Show: Alê Maria
Data: 10 de março
Horário: a partir das 18h
Local: Museu do Samba – Rio de Janeiro
Participações: convidados surpresa
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