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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Agito Cultural: Anos 50 são revisitados em ‘Constellation’

Em Neon: segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015


Quer fazer uma gostosa viagem aos anos 50?

Pois bem, basta você se dirigir ao Teatro Vanucci e tentar uma das 400 passagens disponíveis na bilheteria e decolar a bordo do voo inaugural de Constellation, um super avião repleto de personalidades como Jorginho Guinle, Carmen Mayrink Veiga, Martha Rocha entre outros...

E que viagem... Assim que embarcamos nesse voo único e  inesquecível em nossa poltrona, as músicas gostosas, relaxantes, que tocam direto no nosso coração e que trazem grandes lembranças, começam a nos levar a essa incrível viagem no tempo e em nossas mentes, de forma imediata.

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Eis que surge uma voz de aeromoça, ela anuncia que a viagem começará que, por favor, desliguemos nossos aparelhos eletrônicos e que é proibido comer e beber, assim como fotografar e filmar a incrível jornada.

Depois disso, temos a certeza que nosso retorno será impossível. O melhor é apertar os cintos, ficar confortável e desfrutar da presença do elenco maravilhoso, escolhido brilhantemente e dirigido pelo já renomado e conceituado diretor,  Jarbas Homem de Mello. Ele, como ninguém, sabe como se monta um Musical de ordem maior e soube fazer do belíssimo e bem temporizado texto de Claudio Magnavita, uma obra prima que encanta e faz centenas de vozes cantarem juntos cada canção do musical, isso sem falar que a história contagia e tem tudo a ver com a proposta desejada.

A peça nos apresenta logo de início um cenário muito bem construído, com vários elementos móveis e uma janela onde passam as projeções de todo o espetáculo. A concepção dessa obra é mérito de Natalia Lana que dá uma aula de cenografia e bom gosto. Em sintonia com o cenário podemos contar também com  a iluminação de Paulo César Medeiros, que acompanha, sem falha alguma, cada personagem e cria por meio de sombras e luzes precisas, todo um  desenho harmônico e suave pra cada cena, sabendo valorizar e destacar os melhores momentos ou coreografia.

Por falar em coreografia Vanessa Guillen fez uma pesquisa elaborada e muito bem calculada, com acabamentos de braços e pernas, que pontuam cada nota, sentimento e timbre que as músicas pedem e precisam. Bem aos moldes da década em questão, sem elementos desnecessários tão pouco desencontrados. Assim como a direção musical de Beatriz De Luca, que trabalhou cada música com um propósito para cada passagem do espetáculo.

O trio de atrizes composto por Andrea, Jullie e Lovie funciona de uma forma esplêndida. A familiaridade que ambas possuem é algo espantoso. Uma ruiva, uma loira e uma morena, que com a afinidade mostrada e compartilhada em cena, formam algo que dá gosto de acompanhar, assim como o grupo de cantores formado pelo elenco masculino, que chega a cantar até melhor que muitos dos cantores e bandas por eles homenageados. É pegar o que é bom e conseguir melhorar. Se na época vendessem as mesmas músicas originais ou a da interpretação desses jovens rapazes, com certeza eles que seriam homenageados e lembrados hoje em dia.

Uma jovem menina apaixonada por cantores americanos, dentre eles Elvis Presley, participa de um concurso de rádio que dará como prêmio, uma passagem para o voo inaugural do Constellation, uma super aeronave moderna e luxuosa que irá para New York, com vários famosos a bordo e lá na Big Apple irá conhecer locais chiques e caros. Para isso ela precisa juntar embalagens do sabonete Palmolive, mandar uma frase dizendo por que ela merece ganhar e depois de escolhida participará de um game estilo "Qual é a música?" onde terá que acertar as três músicas tocadas apenas no instrumental. Será que ela saberá ou nunca saberá? Risos.

O que se vê muito na plateia é o público da terceira idade, que chora, se emociona, se acaricia e até mesmo cantarola juntos, mas isso não exclui os jovens que, em peso, também se abraçam, trocam beijos furtivos e saem dizendo que vão baixar as músicas e ouvir em casa. Que se lembram de ter ouvido algumas e depois ficam querendo saber quais os nomes das outras que não conheciam.

Os figurinos idealizados por Patrícia Muniz assim como a maquiagem e caracterização de todos os personagens, com seus cabelos bem presos, armados, penteados e engomados dão um toque vintage e ao estilo anos 50.

Com diálogos em português e músicas em inglês, o musical nos presenteia com o que há de melhor, tanto na pesquisa como em suas músicas famosas, conhecidas e até hoje tocadas e regravadas. Tudo é muito bem produzido e a satisfação de todos da tripulação é uma confirmação disso. Se houver alguém com medo de ver suas músicas prediletas serem estragadas com versões brasileiras pode esquecer, o bom gosto é o que mais flutua nesse voo.

“Constellation” é o musical que há tempos era desejado e esperado por muitos e que somente um olhar corajoso, responsável e meticuloso, poderia, de forma tão brilhante, colocar em cartaz, mesmo em tempos de muitos musicais, onde muito pouco se mantém em tão alto nível. A constatação de que para se ter algo bom, precisa de ousadia e olhar para trás, pois o que já foi bom, sempre será.

Vale a pena ressaltar que esse espetáculo, conta com as participações de artistas de outros grandes espetáculos da temporada carioca: Cleiton Morais e Drayson Menezzes (“Chapeuzinho Vermelho - Como Você Nunca Viu”) e Franco Kuster (“Dzi Corquettes”). Os três com vozes maravilhosas, potentes e bem doutrinadas.

Repertório
Heaven on Earth (Buck Ram)
He’s Mine (Buck Ram)
My Prayer (G. Boulanger)
Blueberry Hill (Lewis / Stock / Rose)
Blue Moon (Richard Rodgers / Lorenz Hart)
When I Fall In Love (V. Young / E. Heyman)
Jambalaya (On The Bayou)
The Great Pretender (Buck Ram)
Donna (Ritchie Vallens)
Surfin’ USA (Chuck Berry / Brian Wilson)
Only You (A. Rand / Buck Ram)
Unchained Melody (A. North / H. Zareth)
Stand By Me (B. King / J. Leiber / M. Stoller)
Smoke Gets In Your Eyes  ( J. Kern / O. Harbach)
Unforgettable (I. Gordon)
Happy Day

Ficha Técnica
Texto e Idealização: Cláudio Magnavita
Direção: Jarbas Homem de Mello
Direção Musical e Arranjos: Beatriz De Luca
Assistente de Direção e Coreógrafa: Vanessa Guillen
Elenco: Andrea Veiga (Tia Maria da Penha), Jullie (Regina Lúcia), Lovie Elizabeth (mãe), Cleiton Morais (locutor e boy band), Marcio Louzada (Tenente Zé Luiz), Daniel Cabral, Drayson Menezzes (locutor), Franco Kuster (Jorginho Guinle), Ugo Capelli
Elenco de apoio – Comissários de Bordo: Agatha Maria Kreisler, Douglas Teixeira, Luã Bregeron e Mariana Floriani
Iluminação: Paulo César Medeiros
Figurinos: Patrícia Muniz
Cenário: Natalia Lana
Sound Designer: Fernando Fortes
Visagismo: Dicko Lorenzo
Projeções e Audiovisual: Studio Prime
Pianista Ensaiador, Band Leader, Pianista – Eduardo Henrique
Pianista Ensaiador – Thalyson Rodrigues
Músicos: André Barros, Wagner Bispo, Mazinho.
Operação de Projeção: Flavia Belchior
Camareiros: Valter Rocha e Tarsila Alves
Direção de Palco: Pedro Gedelha
Contra-Regras: Fernando Queyroz e Kelson Succi
Fotografia: Milton Menezes
Assistente de Fotografia: Gabriel Stefanini
Projeto Gráfico: Milton Menezes | Lightfarm Brasil
3D: Raphael Coppola
Produção Geral: Frederico Reder
Direção de Produção: Alina Lyra
Produção Executiva: Ágatta Marinho e Marcelle Nery
Produção de Cia: Luana Simões
Assistentes de Produção: Agatha Maria Kreisler e Douglas Teixeira
Elaboração de Projeto: Elisa d’Abreu e Natália Simonete
Equipe de Comunicação: João Batista Gabarron, Luana Ribeiro, Karol Freitas Garrett, RodrigoTrabbold
Assessoria de Imprensa: Minas de Ideias
Gerência financeira: Juliana Reder e Mariana Reder
Realização: Alkaparra Produções e Brainstorming Entretenimento

Serviço
Horário: Quinta, sexta e sábado às 21h30 e domingo às 20h30
Local: Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea
Preço: Quinta R$ 80,00 (inteira) / Sexta R$ 90,00 (inteira) / Sábado e Domingo R$ 100,00 (inteira)
Duração: 120 min.
Capacidade: 400 lugares

Foto: Milton Menezes / Studio Prime / Divulgação

Por: João Loureiro Filho - CLIQUE AQUI e leia mais artigos de João Loureiro Filho

João é ator, cantor, mas descobriu-se crítico e aí sim viu que suas opiniões poderiam ajudar muitas pessoas a se decidirem e se descobrirem diante de assuntos dos quais ignoravam, desconheciam ou não davam importância. Participou ativamente de projetos de cinema e teatro, fez um blog de filmes temáticos LGBT. Em breve irá lançar um livro sobre como explorar bem Enredos Carnavalescos.

 
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