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segunda-feira, 17 de março de 2014

Mundo LGBT/Memória: Cinco anos sem Clodovil

Em Neon: segunda-feira, 17 de março de 2014



Há cinco anos, morria o então deputado federal Clodovil Hernandez. Ele teria passado mal em casa em decorrência de um AVC (acidente Vascular Cerebral) e sofrido uma queda. Socorrido e internado em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), ali ficou até ter sua morte cerebral confirmada.

Em Neon faz uma pequena retrospectiva de sua vida para você saber ou relembrar fatos da trajetória memorável desse homem controverso.

Família
Interiorano de Elisário (São Paulo), Clodovil Hernandes era filho adotivo de um casal de imigrantes espanhóis, fato que descobriu aos onze anos de idade, através de uma tia. Ele mesmo dizia que ser adotado nunca havia sido um problema. Seus pais morreram sem saber que ele tinha conhecimento da adoção e ele, sem saber quem foram seus pais biológicos.

A relação que Clodovil teve com sua mãe era forte e seu amor por ela era declarado aos quatro ventos, sempre dizia que ela era “a única mulher que amou em sua vida”. E olha que ele poderia ter rancores de sua mãe, que não lhe quis quando ele chegou, porque não queria aquela “coisa feia”. Mas a vida se incumbe de adoçar os corações e fez dona Isabel amá-lo incondicionalmente. Com o pai, a relação era conturbada, embora não gostasse do pai, sempre o respeitou. Com treze anos, uma passagem lhe marcou para o resto da vida: ele viu o pai tendo relações sexuais com o cunhado. Clodovil nunca tocou no assunto com ele, mas disse que o rumo de sua vida se deu graças a esse acontecimento. 




Moda
Desde pequeno Clodovil mostrava interesse pelo assunto. Palpitava constantemente as vestes da mãe, das tias e primas. No colégio interno católico, onde estudou, recebeu o apelido de "Jacques Fath", um costureiro francês famoso da época. Foi ali que aconteceu seu primeiro esboço, quando uma colega lhe perguntou por que não desenhava vestidos, sem ao menos saber que isso era uma profissão, arrancou algumas folhas de seu caderno e desenhou onze modelos de vestido. Acabou vendendo seis deles a uma loja do centro de São Paulo. Assustou-se, pois o montante era maior que a mesada que ganhava do pai. Nascia ali o estilista Clodovil Hernandes.
Em 1960, conquistou seu primeiro Prêmio Agulha de Ouro. Mais e mais ele era reconhecido e as mulheres da alta sociedade paulista renderam-se a seu talento.

Um fato que foi bem marcante na época, era a “rivalidade” entre Clodovil e Dener, outro estilista famoso naquele tempo. Mas o que todos acreditavam era uma grande balela, pois na verdade eles eram amigos e não rivais, e se divertiam com essa invenção da imprensa. 

Televisão
Em 1976 Clodovil participou do programa "8 ou 800?", apresentado por Paulo Gracindo, ficou ainda mais famoso ao ganhar o prêmio máximo no programa, respondendo perguntas sobre Dona Beja.

No início dos anos 80 consagrou-se em um quadro dentro do programa feminino TV Mulher, na Rede Globo. Teve programas em várias emissoras de televisão como Manchete, Bandeirantes, CNT, Rede Gazeta e Rede TV! Nessa última, em 2004, Clodovil se desentendeu com os integrantes do programa Pânico na TV!, ao ser perseguido pelos mesmos,que pediam para que ele calçasse as “sandálias da humildade”, considerado pelos rapazes do programa uma forma de pessoas, tidas como arrogantes por eles, mostrarem-se com menos empáfia. O cerco foi tanto que chegaram a perseguir Clodovil de carro e helicóptero, era visível a irritação do apresentador com os “irreverentes” humoristas do Pânico. Clodovil aguentou o que pode, desabafou ao vivo em seu programa sobre seu descontentamento com a “brincadeira”. Deixou de apresentar seu programa ao vivo e passou a gravá-los. Meses depois foi demitido por criticar a forma de se vestir de uma apresentadora da emissora. Sua última investida no meio televisivo foi em 2007 no programa "Por Excelência", na TV JB. Pediu demissão por causa de alguns problemas de saúde.

Capa de revista
Em abril de 2005 Clodovil foi capa da "G Magazine", revista dirigida por Ana Fadigas, hoje, para nossa alegria, uma das colunistas Em Neon. Muita gente comprou a edição acreditando que o atrevido estilista estaria nu em um ensaio, já que a "G" se tornou umas das mais famosas do seguimento nudez. No entanto ele estava sim dentro da revista, não nu, mas concedendo entrevista. Foi ele quem indicou o modelo que está na capa com ele, Júlio Capeletti, esse sim aparecia nu no interior da revista. O rapaz era conhecido de Clodovil desde que o modelo posou ao lado de Camila Pitanga para a capa da revista Clodovil Noivas.    

Política
Sua carreira na área política se deu em 2006, ao candidatar-se e ser eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), foi o terceiro colocado em número de votos em São Paulo, estado por onde se candidatou. Foi o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal. Polêmico por si só, era contrário às Paradas LGBT e casamento gay. Em 2007 trocou de partido filiando-se ao Partido da República (PR) e correu o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Em 2009 foi absolvido por unanimidade, mas deixou o novo partido e alegou abandono pela legenda desde a eleição.  

Saúde
O ano de 2005 foi duro para Clodovil, quando foi diagnosticado com um tumor maligno na próstata. Ele retirou o tumor, mas apresentou quadro de incontinência urinária. Em 2007, teve um princípio de infarto, um derrame cerebral e ficou com o lado direito do corpo paralisado. Em 2008, passou por mais uma cirurgia em decorrência das deficiências na próstata e no mesmo ano sofreu uma embolia pulmonar. Em 17 de março de 2009 morreu em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral).


Memória

Para que sua memória seja preservada e para que seja cumprido o sonho de Clodovil, amigos criaram o Instituto Clodovil Hernandes. É através dele que toda a memória, acervo e projetos relativos a “Casas Clô” será feito.

O projeto do Instituto consiste em capacitar e formar meninas carentes para o mercado de trabalho, e estimular com elas uma troca de experiências com senhoras da melhor idade. Para saber mais sobre o Instituto Clodovil Hernandes, CLIQUE AQUI.    

Clodovil era uma pessoa adorada por muitos e odiada por outros tantos. Sua vida foi marcada por polêmicas, pois ele falava o que lhe vinha na telha, sem medo das consequências, doesse a quem doesse. Com essa particularidade ganhou inimigos, mas também uma legião de fãs que o admiravam por sua originalidade, principalmente as senhorinhas que o acompanhava desde os tempos do TV Mulher, programa que o consagrou nos anos 80.
Polêmico, adorado, odiado... Só não há como negar que sua presença marcante faz falta no cenário político e do show business.

Confira abaixo um vídeo com frases e momentos marcantes da vida do saudoso Clô! 


Por: Eduardo Moraes

Eduardo Moraes é jornalista formado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) além de fotógrafo há 15 anos. Em seu curriculum estão o Jornal e Site Abalo, a Exposição O "T" da Questão e o Livro Avesso - Meu Lado CertoAtualmente é editor-chefe do site www.EmNeon.com.br.
 
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