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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Estreia para convidados de 'Fafá de Belém, o Musical', lota o Theatro Riachuelo com amigos, artistas, fãs e a presença da própria Fafá

Em Neon: terça-feira, 20 de janeiro de 2026



Há noites em que o teatro deixa de ser espetáculo e se transforma em acontecimento. A estreia de “Fafá de Belém, o Musical”, em 19 de janeiro de 2025, no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, pertence a essa rara categoria. Não se tratou apenas da celebração de uma carreira longeva ,foram 50 anos de canto, mas da materialização de uma ideia mais profunda: a de que certas vozes ultrapassam o corpo que as abriga e se convertem em território simbólico.

Foto: Eduardo Moraes

Desde os primeiros acordes, o palco se abriu como um rio. Um rio que nasce na Amazônia, atravessa décadas, cidades, palcos e afetos, e deságua no coração do público. Contar a história de Fafá de Belém é, inevitavelmente, contar a história de um país que se reconhece na música, que resiste pela arte e que encontra na canção um gesto de pertencimento. Em uma apresentação marcada por emoção, memória e identidade, o musical conduziu o público por momentos decisivos da vida e da carreira da artista paraense.

Foto: Eduardo Moraes



A plateia, formada por convidados, artistas e personalidades como Dira Paes, Eliane Giardini, Diogo Almeida, Isabel Fillardis, Tânia Alves, Jonas Bloch entre tantas estrelas, assistiu ora em silêncio, ora rindo, se emocionando, cantando... 

Foto: Eduardo Moraes

“Fafá de Belém, o Musical” não se limita a narrar uma carreira consagrada — ele nos convoca a refletir sobre o que significa ter uma voz quando o país, tantas vezes, insiste em não ouvir.

Foto: Eduardo Moraes

Desde os primeiros minutos, fica claro que o espetáculo não busca o conforto da cronologia nem a previsibilidade das grandes biografias musicais. O que se constrói em cena é uma espécie de ensaio dramatúrgico sobre identidade, pertencimento e permanência. A história de Fafá de Belém é apresentada não como linha reta, mas como rio: nasce na Amazônia, contorna obstáculos, ganha volume e segue adiante, carregando tudo o que toca.

Foto: Eduardo Moraes

A direção de Jô Santana aposta na contenção e na escuta. Nada é excessivo. Nada grita. A Amazônia — tantas vezes reduzida a clichê — surge como presença orgânica, pulsante, quase íntima. Ela não está ali para ilustrar, mas para explicar. É dela que vem a voz, o gesto largo, a coragem estética de Fafá. O espetáculo compreende algo essencial: não se trata de uma artista que saiu da Amazônia para conquistar o Brasil, mas de alguém que levou a Amazônia consigo, sem concessões.

Foto: Eduardo Moraes

A dramaturgia de Eduardo Rieche e Gustavo Gasparani acerta ao fragmentar a personagem em três corpos femininos. Laura Saab, Helga Nemetik e Lucinha Lins, elas não interpretam “fases” no sentido convencional; elas coexistem. As atrizes não trabalham com imitação, mas com estados emocionais distintos, o que permite acompanhar a evolução da personagem sem recorrer a caricaturas. Assistindo, tive a clara impressão de que o tempo ali não avançava — ele se acumulava. A infância não desaparece quando chega a maturidade. O início da carreira continua ecoando na artista consagrada. Somos, afinal, feitos dessas sobreposições.

Foto: Eduardo Moraes

O trabalho de Laura Saab, que interpreta a fase infantil de Fafá de Belém, merece destaque. Sua atuação não se apoia em excessos nem em uma idealização da infância. Ao contrário, há contenção, escuta e presença. A criança em cena é apresentada como observadora atenta do mundo ao redor, já atravessada pela música, pela paisagem amazônica e pelos afetos que moldam sua sensibilidade e identidade. A escolha de uma atriz com vínculo familiar com a artista não se sustenta apenas pelo dado biográfico, mas se justifica pela organicidade da atuação, que contribui para a coerência emocional da narrativa, valendo deixar claro que apesar de ser neta de Fafá, Laura passou por todas as fases seletivas para o papel.

Foto: Eduardo Moraes

A transição para o início da carreira encontra em Helga Nemetik um dos pontos altos do espetáculo. Sua interpretação dá corpo ao momento de descoberta da própria voz e ao impacto do primeiro contato com o palco e com a exposição pública. Helga constrói uma Fafá jovem sem recorrer à imitação direta, trabalhando sobretudo a insegurança, a ousadia e a pulsão criativa que marcam esse período. É nessa fase que o musical encontra maior dinamismo cênico, e a atriz sustenta com precisão o equilíbrio entre fragilidade e afirmação.


A atuação de Helga se destaca ainda pela capacidade de articular canto e dramaturgia de forma integrada. Sua presença em cena revela a construção de uma artista consciente de sua diferença e, ao mesmo tempo, disposta a ocupá-la como força. Trata-se de uma interpretação que dialoga com o conceito central do espetáculo: a voz como ferramenta de identidade e posicionamento.


Lucinha Lins, responsável pela fase madura, oferece uma atuação sólida, contida e precisa, sustentando os momentos de maior densidade dramática. Ela especialmente, oferece uma interpretação que foge do óbvio. Não há tentativa de imitação vocal ou gestual, sua interpretação é orgânica. O que ela entrega é o peso de uma trajetória, a consciência de quem sabe o que representa — e o custo disso. É uma atuação que prefere o subtexto à ênfase, e talvez por isso seja tão eficaz. Uma interpretação víceral. Embora sendo loira de olhos azuis, Lucinha utiliza de peruca e lentes de contato para se assemelhar mais à personagem, mas sua postura, gestos e a excelente interpretação, por vezes nos faz ver a própria Fafá em cena. 

Foto: Marcos Couto

O musical também não romantiza o estrelato. Há, ao longo da encenação, uma atenção cuidadosa aos bastidores do sucesso — não como espetáculo da vaidade, mas como espaço de tensão. A fama aparece como território ambíguo: ilumina e expõe, protege e fere. Nesse ponto, o musical se afasta do elogio fácil e se aproxima da complexidade humana. Fafá surge, não como mito inalcançável, mas como mulher que sustenta a própria voz em um país que frequentemente exige silenciamento, sobretudo de quem não se encaixa nos modelos hegemônicos. Há uma exposição, de risco. Fafá surge como mulher pública, atravessada pela política. Nesse sentido, cantar é apresentado como ato estético e também como gesto de posicionamento. 

Foto: Eduardo Moraes

Do ponto de vista cênico, a presença da Amazônia se destaca como elemento estruturante da encenação, não como cenário ilustrativo, mas como referência simbólica constante. A direção trabalha com sobriedade, evitando excessos visuais e privilegiando a escuta, o ritmo narrativo e a relação direta com o público.

Foto: Eduardo Moraes

Visivelmente emocionada, a cantora acompanhou o espetáculo e, ao final, subiu ao palco para agradecer ao elenco e à equipe, sendo ovacionada de pé. Algo se deslocou. Não era mais apenas teatro. Era encontro. Vida e representação se tocaram por alguns segundos, e o aplauso que se seguiu não tinha o entusiasmo protocolar das estreias. Era um aplauso agradecido. Como quem reconhece que aquela voz faz parte da história de cada um. Uma voz que continua necessária. 

Foto: Eduardo Moraes

Ao final, fica a sensação de que aquela noite não terminou com o fechar das cortinas. Saí do teatro pensando que “Fafá de Belém, o Musical” se consolida como um trabalho consistente, que vai além da homenagem e propõe uma leitura crítica e sensível sobre uma artista fundamental da música brasileira. É menos sobre passado e mais sobre permanência. Sobre o que continua necessário. Em tempos de ruído excessivo e memória curta, ouvir Fafá — em cena, em canção, em ideia — é um gesto político e afetivo. Um lembrete de que algumas vozes não pertencem apenas a quem as emite. Elas se tornam abrigo coletivo. Como toda grande canção, ela permanece ecoando. Porque há vozes que pertencem à memória coletiva.

Foto: Eduardo Moraes

O espetáculo "Fafá de Belém, o Musical" vai além do entretenimento, é histórico, necessário e fundamental.

Por: Eduardo Moraes


Foto: Marcos Couto

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes

Foto: Eduardo Moraes


Ficha Técnica

Fafá de Belém, o musical

Direção geral e idealização: Jô Santana

Texto: Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche.

Direção artística: Gustavo Gasparini

Pesquisa: Rodrigo Faour


Elenco: 

Lucinha Lins (atriz convidada)

Helga Nemetik 

Laura Saab

Ananda K

Clarah Passos

Daniel Carneiro

Diego Luri

Fernando Leite

Gabriel Manitta

Larissa Carneiro

Mona Vilardo

Naieme

Sérgio Dalcin

Thuca Soares

Diretora assistente: Iléa Ferraz

Direção musical: Marcelo Alonso Neves

Assistente de direção musical e regente: Glauco Berçot

Coreografia: Renato Vieira

Coreógrafa assistente: Soraya Bastos 

Cenografia: Ronald Teixeira

Assistente de cenografia: Pedro Stamford

Figurinista: Claudio Tovar 

Assistente de figurino: Paulo Raika

Visagista: Beto Carramanhos

Desenho de som: Bruno Pinho e Paulo Altafim

Iluminador: Paulo Cesar Medeiros

Fotos still: Leo Aversa 

Design gráfico: DOROTÉIA DESIGN / Adriana Campos, Flávia Pacheco, Pedro Cancelliero e Iara Moraes

Marketing: Edu Santos

Marketing cultural e parcerias: Gheu Tibério

Assistente de marketing cultural e parcerias: Paula Rego e Pedro Ribeiro

Assessoria de imprensa: amigos comunicação /Mauricio Aires e Rogério Alves

Clipping: Top Clip

Social media: Stace Mayka

Performance: V2P

Direção de produção: Carmem Oliveira / Renato Araujo

Assistente de Produção: Thales Huebra

Assessoria jurídica: FRANCEZ ADVOGADOS – Andrea Francez, Myrna Malanconi e João Pedro Batista 

Contabilidade: Yara Brasil

Direção financeira e leis de incentivo: Janaína Reis 

Assistente Administrativo: Marcela Lima

Direção técnica: Ricardo Santana

Chef: Osmar Ribeiro

Produção: Charge Produções e Fato Produções

 

Serviço

De: 15 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026

Horários: quintas e sextas-feiras, às 20h

sábados e domingos, às 17h    

Classificação: 12 anos

Duração: 2h40 (com intervalo de 15 min)

Ingressos: https://www.ingresso.com/espetaculos/fafa-de-belem-o-musical 


Valores:

Plateia VIP - R$ 200,00

Plateia - R$ 180,00

Balcão Nobre - R$ 100,00

Balcão - R$ 40,00










 
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