| Foto: Maurício Code |
A espera de seis anos valeu a pena . Na noite de ontem, 19 de janeiro, o Qualistage, no Rio de Janeiro, foi o palco da estreia da nova turnê solo de Andy Bell pelo Brasil. A voz icônica do Erasure entregou uma performance que equilibrou perfeitamente a reverência ao passado e o frescor de sua nova fase criativa.
| Foto: Maurício Code |
O Equilíbrio entre o Solo e o Clássico
Diferente da última passagem pelo país em 2018, quando esteve acompanhado por Vince Clarke, Andy trouxe uma proposta que celebra sua individualidade. O show abriu com a pulsante "Breaking Thru the Interstellar", faixa de seu álbum mais recente, Ten Crowns (2025).
A faixa que abre os shows, funciona como um portal entre o passado eletrônico de Bell e o futuro exploratório que ele busca agora.
| Foto: Maurício Code |
O novo trabalho, que marca o retorno solo do cantor após mais de uma década, mostrou que Andy domina a pista de dança mais do que nunca. Com influências claras de Italo disco e gospel, as novas canções foram recebidas com entusiasmo, provando que o público brasileiro está atento à sua evolução artística.
| Foto: Maurício Code |
Mensagens em Português
Bem humorado e extremamente simpático, Andy fez questão de trazer vários bilhetinhos em português, que lia nos intervalos entre algumas canções, com mensagens especiais em nossa língua.
| Foto: Maurício Code |
Hinos que Atravessam Gerações
Apesar das novidades, Andy Bell sabe o que move multidões. O setlist foi generoso com o catálogo do Erasure, transformando o Qualistage em uma enorme celebração synthpop. Momentos de destaque incluíram:
| Foto: Maurício Code |
Dueto Emocionante: A performance de "Heart’s a Liar", dividida com a musicista Chelsea Blankinship, trouxe uma carga dramática e vocal impecável.
Surpresa Pop: O cover de "Xanadu" (ELO) serviu como um tributo vibrante à era disco.
| Foto: Maurício Code |
Sequência de Ouro: A reta final do show foi um nocaute de nostalgia com "Blue Savannah", "Stop!", "Love to Hate You", "Always" e "Oh l’amour".
O encerramento ficou por conta de "A Little Respect", cantada em uníssono por um público que atravessa gerações, reafirmando Andy como um dos maiores frontmen do pop britânico.
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| Foto Maurício Code feita por celular |
Próximas Paradas brasileiras da Tour
A jornada de Andy Bell pelo Brasil está apenas começando. Após o sucesso no Rio, o cantor segue uma agenda intensa por outras capitais:
21/01: Porto Alegre - Auditório Araújo Vianna
22/01: Curitiba - Teatro Positivo
23/01: Belo Horizonte - BeFly Hall
24/01: São Paulo - Suhai Music Hall
| Foto: Divulgação |
Sobre o álbum “Ten Crowns”
Lançado em maio de 2025, "Ten Crowns" é o terceiro álbum de estúdio da carreira solo de Andy Bell e marca seu retorno aos discos individuais após um hiato de 15 anos (desde Non-Stop, de 2010).
O álbum foi concebido em um momento de celebração pessoal, coincidindo com o aniversário de 60 anos do cantor, e traz uma sonoridade que ele mesmo define como uma mistura de "euforia das pistas com a alma do gospel".
Aqui estão os pontos principais para você conhecer o disco:
| Foto: Divulgação |
1. Parcerias de Peso
O álbum é fruto de uma colaboração estreita com o produtor americano Dave Audé, vencedor do Grammy e famoso por remixes para nomes como Madonna e Lady Gaga. Audé, fã confesso de Erasure, ajudou a moldar um som pop moderno, mas com raízes profundas na Hi-NRG e Italo Disco.
Destaques nas faixas:
"Heart's a Liar": Um dueto histórico com Debbie Harry (vocalista do Blondie), ídolo pessoal de Andy.
"Lies So Deep": Conta com a participação da cantora de blues/gospel Sarah Potenza, trazendo um contraponto potente à voz de Bell.
| Foto: Divulgação |
2. Temas e Letras
Diferente da melancolia que às vezes permeia o trabalho do Erasure com Vince Clarke, Ten Crowns foca em:
Resiliência e Superação: Letras sobre "sacudir a poeira" e enfrentar demônios internos e externos (como a homofobia).
Espiritualidade Laica: A influência do gospel veio das inúmeras igrejas de Nashville (onde o disco foi gravado), mas Bell usa essa estética para falar de esperança e celebração da vida, não necessariamente de religião.
Ficção Científica: A faixa de abertura, "Breaking Thru the Interstellar", foi inspirada pelo seu hábito de ler revistas de ciência sobre buracos de minhoca e viagens espaciais.
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3. Tracklist (Edição Padrão)
Breaking Thru the Interstellar
Lies So Deep (feat. Sarah Potenza)
Heart's a Liar (feat. Debbie Harry)
For Today
Dance for Mercy (que ganhou um remix de Vince Clarke na edição deluxe)
Don’t Cha Know
Dawn of Heaven’s Gate
Godspell
Put Your Empathy on Ice
Thank You (uma faixa de encerramento emocionante onde ele agradece aos fãs pela carreira de 40 anos).
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4. Edição de Luxo: "The Crown Jewels"
Para os colecionadores, foi lançada em dezembro de 2025 uma caixa com 4 CDs que inclui:
O álbum original e faixas bônus (como o cover de "Xanadu", que ele tocou no show do Rio).
Um disco de remixes (com participações de Vince Clarke e Cosmic Gate).
Versões estendidas de todas as faixas e um disco ao vivo.
Curiosidade: O nome do álbum é uma referência às cartas de Tarô e ao "coroamento" de sua trajetória de quatro décadas na música pop.
Texto e fotos: Maurício Code

