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sexta-feira, 9 de março de 2018

Luiza Tomé, Priscila Fantin & Letícia Birkheuer fazem sessão acessível com tradução para Libras e Audiodescrição do espetáculo 'Além do que os nossos olhos registram'

Em Neon: sexta-feira, 9 de março de 2018

Foto: Lucio Luna
“Três mulheres, três gerações e seus conflitos. Em comum, fora os laços sanguíneos, existe o amor que une avô, mãe e neta.”
 “Racismo e homofobia, uma combinação letal.”
“Qualquer tipo de preconceito é como um vício incurável,
a reabilitação precisa ser diária e continua.”
“O que acontece quando o maior preconceito está dentro da própria casa?”

“Além do que os nossos olhos registram” estreou no dia 19 de janeiro, no Teatro J. Safra. No elenco, as atrizes Luzia Tomé, Priscila Fantin & Letícia Birkheuer. O texto é de Fernando Duarte, autor de “Callas” e “Depois do Amor”, ambos dirigidos pela saudosa Marília Pêra, com direção artista de Fernando Philbert, que assinou a direção de aclamados espetáculos, tais como “O topo da montanha”, com Lázaro Ramos e Thais Araújo, “O Escândalo de Felippe Dussack”, com Marcos Caruso, entre outros.

O espetáculo fala sobre a convivência de três gerações de mulheres, apoiando e enlouquecendo umas às outras.

Delfina (Luzia Tomé) é uma mulher que sempre teve a cabeça livre de preconceitos. Uma mulher agitada e independente possui uma rotina dinâmica e cheia de afazeres - alguns mais típicos outros mais peculiares. Uma avó moderna e articulada. Ela se identifica com os marginalizados e, desde jovem, luta pelos direitos das “minorias”.

Violeta (Letícia Birkheuer) é uma mulher elegante, divertida e ardilosa. Seu lema de vida é: “Mantenha as aparências e impressione sempre”. Vive um casamento de fachada que lhe proporciona uma vida confortável. Ela foi sugada pelo mundo do marido, e possui uma maneira prática e decidida, às vezes, cínica de resolver os problemas e não raro é ela quem vai sobrepor a Delfina e a Sofia em termos de sensatez e amadurecimento.

Sofia (Priscila Fantin) tem uma relação conflituosa com os pais, e encontra na avó o apoio não encontrado na relação com a mãe. Seu olhar para o mundo feminino instalado à sua volta é aguçado e provocador. Ela vive às turras com a mãe, mas o novo cotidiano intensifica seus laços com a avó.

Ao mostrar essa complicada relação entre mãe, filha e avó o espetáculo consegue expor, de maneira emocional, as agruras e alegrias do universo feminino.  Não interessa que você, mulher, não tenha muitas amigas, nem more em uma grande metrópole, mas você já deu boas gargalhadas com as amigas falando sobre assuntos corriqueiros, sobre sua vida sexual, já se sentiu insegura em um relacionamento, já falou sobre o tamanho dos membros masculinos, já contou suas experiências sexuais, já tentou viver novas experiências, já sonhou com um príncipe encantado, já gastou mais do que podia em um sapato ou um vestido dos sonhos.

Não é fácil para nenhuma das protagonistas, mas a peça apresenta soluções interessantes que poderiam ser aplicadas no dia a dia de qualquer um.

Sobre o texto
Em 2015, estive em Brasília com o espetáculo “Callas”, outro texto de minha autoria. Na ocasião, reencontrei uma antiga colega de escola - morei em Brasília dos dez aos quinze anos e estudei em um colégio público a L2 Norte. Conversamos bastante e ela me contou sobre a complicada relação com a mãe. Com dezessete anos, foi expulsa de casa por conta da orientação sexual. A mãe, muito religiosa, cortou relações com a filha. Foram oito anos assim, elas só voltaram a se falar quando a mãe ficou gravemente doente, acabou falecendo em decorrência de um câncer.

Resolvi escrever sobre a fragilidade das relações humanas, as relações familiares, e também, sobre esses preconceitos que andam assombrando a vida de tanta gente. Conversei com muitas mães, muitas filhas, avós... muitas histórias e, dois anos depois, temos aqui um texto que fala sobre amor, desamor, preconceitos. Uma peça para refletir.

Foram vinte entrevistas, com mulheres de diferentes classes sociais. Me toca fundo a luta das mulheres tentando se firmar em um mundo ainda regido pelo machismo, a luta para tentar proteger seus filhos. A cobrança que elas sofrem todos os dias. Na peça, são três protagonistas com personalidades diferentes, mas, com muito em comum. As três tem suas razões e expõem suas opiniões. Como estão em casa, em família, elas tiram as máscaras e falam o que sentem sem rodeios.

É um olhar masculino sobre o universo feminino.  Lembro-me de alguns relatos marcantes de algumas mães e filhas.

Muitas mães ficam perdidas quando não conseguem controlar suas filhas e, então, apelam, falando dos sacrifícios que fizeram por elas a vida toda. A filha se culpa e a relação vira um misto de amor e ódio. Lembro também das expectativas não correspondidas. Mãe ansiosa e perfeccionista gerando filha igualmente ansiosa e perfeccionista. A filha não consegue aceitar os próprios erros e não aprende a lidar com frustrações.

Algumas frases marcantes:
“Um amor e uma cabana, nem em novela mexicana”
“Pena não ter tido filho homem, amam mais as mães e dão menos trabalho”
“Você vai me matar, depois não adianta ficar chorando no pé do caixão”.
“O seu pai que é ótimo, perfeito, eu sou a megera”
“Uma mãe nunca desiste do seu filho”
“Demorou para me libertar da culpa. Toda relação afetiva oscila entre amor e ódio. Não fico mais culpada por sentir coisas ruins”
“Adolescentes são tão misteriosas”
“Alguém sabe o que aconteceu com a Cinderela depois do casamento? Duvido que tenha vivido naquele mar de rosas”.

“Fico pensando que todos esses nossos problemas, eles são tão pequenos diante da possibilidade da morte. Por isso, eu vivo redimensionando todos os meus problemas, mas a gente não precisa estar doente para ter noção de prioridade. Não é verdade?”

Fernando Duarte – autor

Sobre o espetáculo
Com patrocínio da Renner e Mapfre, o espetáculo passeia entre a comédia e o drama. É uma história que, quem não viveu, já presenciou ou já ouviu alguém contar. As personagens são mulheres comuns, dessas que encontramos nas esquinas da vida, por isso, são tão fascinantes.

Delfina, quando jovem, casou-se com um rapaz negro, a família era contra, mesmo assim ela enfrentou o preconceito da época e foi viver sua história de amor, da união nasceu, Violeta. Violeta nasceu com os traços da mãe, desde pequena sente vergonha do pai, da cor dele. Aos vinte aos, entre viver uma história de amor e casar com um homem mais velho e rico, optou pelo casamento por interesse, dessa união nasceu Sofia. Sofia, como toda filha única, sempre foi muito cobrada, é a filhinha do papai que eles esperam ver casada com um bonito rapaz de família importante. Violeta sonha e planejada o casamento do século para a única filha. Quando Sofia assume ser lésbica, o mundo de Violeta desmorona e ela põe para fora todo o seu preconceito até então velado.

Durante um encontro na casa de Delfina, as três mulheres tiram as máscaras e expõem suas opiniões e verdades.

É uma história que precisa ser contada e assistida. O público, além de se identificar de imediato, sairá do teatro com boas reflexões.

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Serviço
“Além do que os nossos olhos registram”
Texto: Fernando Duarte
Direção: Fernando Philbert
Elenco: Luíza Tomé, Priscila Fantin & Letícia Birkheuer
Gênero: Comédia
Classificação indicativa: 12 anos
Duração:  70min
Estreou: 19 de janeiro de 2018
Temporada: de 19 de janeiro a 11 de março de 2018. Sextas 21h30 - Sábados 21h – Domingos 20h
Ingressos: de R$20 a R$ 50
Local: Teatro J. Safra – 627 lugares
Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda
Info: 3611.3042

Ficha Técnica
Texto: Fernando Duarte
Direção: Fernando Philbert
Assistente de direção: Rodrigo França
Elenco: Luíza Tomé, Priscila Fantin & Letícia Birkheuer
Figurinos: Patrícia Muniz
Iluminação: Vilmar Olos
Cenário: Natália Lana
Visagismo: Walter Lobato
Fotos: Lucio Luna
Coordenador de projeto: Fernando Duarte
Dir. de produção: Fabricio Chianello
Realização: Ymbu Entretenimento LTDA


Sobre as Atrizes
Luiza Tomé
A atriz participou de sucessos da teledramaturgia nacional como “Corpo a Corpo”, “Pedra Sobre Pedra”, “Fera Ferida”, “A Indomada”, “Porto dos Milagres”, entre outras da Tv Globo. Atualmente está na rede Record tendo realizado sua última personagem em 2016 na novela “Escrava Mãe”. Participou de filmes de projeção nacional desde a década de 80, e espetáculos teatrais sendo a última “Mulheres Alteradas” com direção de Eduardo Figueiredo. Atualmente está gravando a novela Apocalipse que estreia este mês na rede Record.

Priscila Fantin
Em 1999, foi convidada pelo diretor Ricardo Waddington para fazer a nova temporada de "Malhação" interpretando a personagem Tati. Depois do seriado, fez a Joana, de "As Filhas da Mãe", uma atleta de luta livre filha de Rosalva (Regina Casé). Foi ainda a italiana Maria, em "Esperança", protagonista da novela de Benedito Ruy Barbosa. Em seguida, fez a primeira novela com Walcyr Carrasco, a Olga, de "Chocolate com Pimenta". Foi apresentadora dos programas Oi Mundo Afora", do GNT e em 2005, fez parte do elenco da minissérie de sucesso "Mad Maria". Em "Alma Gêmea" conquistou fama nacional como Serena. No Teatro uma de suas últimas peças foi em 2016 no elenco de “Por Isso Fui embora” dirigida por Régis Farias.

Leticia Birkheuer
Estreou como atriz em 2005, desempenhando o papel da vilã Érica Assunção na telenovela brasileira Belíssima, filha de Julia Assumpção (Glória Pires), fruto de um único e mal sucedido casamento. Em 2006, foi nomeada para o Prêmio Contigo, na categoria de melhor atriz revelação, pela sua participação nessa telenovela. Em 2007 fez também, uma pequena participação especial em Pé na Jaca vivendo Isabela, uma modelo trambiqueira. Em 2006, Birkheuer foi a sétima modelo brasileira mais bem paga. Tornou-se um nome famoso no mundo da moda ao assinar um contrato com a grife Helena Rubinstein. Em 2008, interpretou a vilã Raquel na telenovela Desejo Proibido.  No Teatro atuou em espetáculos como "Até o sol nascer" de autoria e direção de Luciano Maza.
 
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