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sábado, 18 de abril de 2015

Meu olhar: Apenas uma observadora, mas uma pequena espectadora

Em Neon: sábado, 18 de abril de 2015


Ao passear pelo Parque D. Pedro (SP) vi um prédio muito bonito, de escultura antiga, com um cartaz que me chamou muito atenção e comecei a rir, sem acreditar no que estava lendo, a mensagem era “CASA DAS PRIMAS...”, no mesmo momento, me veio um turbilhão de pensamentos, histórias e estórias. Das quais, algumas delas eu participei como espectadora, ora como observadora...

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Como espectadora - Veio-me na memória imagens do meu tempo de criança, na cidade em que nasci, fui criada e me criei: Floresta Azul – BA. Tinha um Brega, um puteiro, bem perto da nossa casa. Certa vez, o delegado da cidade saiu arrastando uma mulher pequena, magra e frágil pelos cabelos, ela gritava, pedia socorro e xingava tudo numa sequência, estava toda ensanguentada pelos esfolamentos que as pedras do chão batido e irregular causavam em seu corpo arrastado até a delegacia. Eu devia ter uns quatro anos na época, e esta cena nunca me saiu da cabeça e lembro-me daquela cena horrível todas as vezes que vejo uma mulher que vive em situação de prostituição. Naquela época, chamava-se de quenga ou rapariga.

Também, hoje percebo o quanto a sociedade é perversa e hipócrita. Pois, como observadora, vejo que há uma forte discriminação com esta população. Percebo também o quanto a sociedade precisa delas e se lambuzam com a ideia de que é necessária a existência dessas mulheres para a formação e certidão da masculinidade do homem. Ele não consegue viver sem elas, elas são “amadas e adoradas em segredo, numa rua escura ou num quarto escuro de um hotel barato, onde deve estar sempre alegre, sempre a sorrir”. No entanto, a hipocrisia é tamanha que a cultura machista faz dela um ser abjeto, a escória da sociedade. E depois do propósito alcançado são enxovadas e jogadas fora como um lixo.

Aí, lembrei que este comportamento, esta conduta da sociedade e execração com as prostitutas são retratadas no filme “Lição de Amor*” com Lilian Lemmertz. Em uma dinâmica hipócrita que movimenta e alimenta essa casta maxista. Lamento como espectadora e como observadora.

*Para quem não conhece, o filme “Lição de Amor” se passa em São Paulo, na década de 20, onde uma governanta alemã (Lilian Lemmertz) é contratada por uma família rica, com a tarefa de dar aulas aos filhos do casal, mas sua missão vai além, pois deve dar ao filho mais velho, uma educação sexual na prática, para que o mancebo não se afete pela tolerância do mundo que o rodeia.

Foto 1: Matheus Nachtergaele e Sophie Charlotte, em foto do filme "Serra Pelada" (Divulgação)
Foto 2: Marcos Taquechel e Lilian Lemmertz, em foto do filme "Lição de Amor (Divulgação)

Por: Nyna Ca$h - CLIQUE AQUI para ver outras matérias de Nyna Ca$h

Fran Sylva diz ser poeta desde cedo. Nos anos 80, foi picado pelo bichinho da arte cênica e formou-se em psicologia pela Faculdade de Ensino Superior Senador Fláquer - Santo André. Anos mais tarde, descortinou um viés para o mundo mágico, lúdico e surgiu a personagem Nyna Ca$h; simultaneamente se formou ator pela Escola de Teatro Macunaíma; é ativista social na causa LGBT, como Conselheiro, junto ao Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, representando os Transgêneros. Em 2014 fez um curso de palhaço com apoio da UNINOVE e do Instituto SELi para Surdos. Suas paixões: Coca-Cola, fotografia, selfies, filmes e músicas antigas.

 
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