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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Agito Cultural: ‘A Moça da Cidade’ resgata universo das radionovelas dos anos 40

Em Neon: domingo, 1 de fevereiro de 2015


Caros amigos ouvintes, telespectadores e leitores, a partir desse momento preparem-se, pois vocês estarão entrando no maravilhoso e fantástico universo de uma rádio antiga, com direito a grandes emoções e boas gargalhadas.

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É nesse meio que a peça toda se desenvolve e transporta os seus atentos amigos da plateia a viajarem por toda essa sintonia de sensações.

Uma peça da qual fica difícil escrever sobre ela, por ter muitos pontos favoráveis e nenhum fio solto para poder apontar como defeito. Um primoroso trabalho de meses de pesquisa e aproximadamente três meses de ensaios. Como resultado, um espetáculo que conquista logo nos primeiros minutos: olhares curiosos, interessados e atentos em tudo o que se passa na história apresentada.

A primeira conquista dessa peça e que somos apresentados logo de cara à dupla fantástica de sonoplastas que, do início ao fim da trama, nos deixam boquiabertos com seus truques, suas técnicas e a facilidade com que os sons de objetos e a própria boca, que conseguem criar uma atmosfera lúdica e totalmente intimista, tal qual era feito antigamente. Os responsáveis por esse trabalho são: Marcelo Alonso Neto, o criador que assina toda a sonoplastia e que é posta em prática com maestria por seus dois talentosos operadores, Bruno Fagotti e Felipe Bond.

"É um prazer enorme fazer parte de um trabalho como esse, não só pelos amigos queridos, que estão no projeto, mas também pela forma como nos divertimos e cuidamos uns dos outros, somos uma família. E o prazer mora também no resultado final, com os sorrisos e abraços apertados após o encerramento da peça, que são reflexos claros da maestria com que o Rodrigo conduziu esta união e esse espetáculo tão bonito. A sonoplastia foi algo muito bem desenhado e pensado entre Rodrigo e Marcelo, para dialogar com o texto e a criação da Rádio Novela. Inicialmente parecia muito difícil de executar, mas ao longo do processo tornou-se uma verdadeira brincadeira de criança. Sinto de verdade que a criança que mora em mim diverte-se demais com isso tudo." (Felipe Bond)

Felipe Bond, por sinal, não se mostra talentoso somente nessa área, ele também é o criador e diretor das projeções que passam durante o espetáculo e que, em determinados momentos, acabam se tornando "personagens", em cenas de suma importância para o andamento do texto. Alguns efeitos que podemos ver é a dublagem de cenas de filmes antigos passando, como se fossem reais.

Esse é outro fator que está fazendo com que essa peça seja um fenômeno de críticas e comentários. Ela mescla um rico cenário, com objetos cenográficos e ao mesmo tempo projeções bem colocadas e indispensáveis, cuja ausência nem podemos sonhar.

Outra característica importantíssima da montagem é a confecção do figurino de cada personagem. Ela desenha de forma real e fiel as características pessoais de cada um, nos distanciando totalmente de cada atuante. Quem assina essa riqueza é o talentoso figurinista Bruno Perlatto.

A iluminação criada e realizada por Tomás Ribas é uma delicadeza à parte. Ela acaba se tornando o ponto referencial da peça auxiliando os atores, os sonoplastas e até mesmo nós da (pasma) plateia. Mesmo quando propositalmente a peça passa por um apagão, para que possamos viver uma sensação de estarmos realmente ouvindo uma radionovela.

O cenário de Miguel Pinto Guimarães é muito bem composto por vários ambientes, que consegue ser uma Rádio, um dormitório, uma pensão, um cinema e vários outros locais, sem se tornar confuso ou mesmo bagunçado. O cantinho da sonoplastia é bem situado e todos os elementos interagem bem entre si, facilitando toda uma compreensão cênica.

Sabe quem é Ambrosina? Não? Pois bem, ninguém sabe, mas essa personagem bem caricata, divertida e deslumbrada, é uma menina de interior, sem estudos e sem dinheiro, que vai tentar a vida em uma cidade grande, na tentativa de estudar e quem sabe encontrar um homem decente pra casar. Ela passa por rejeições, por amores platônicos, dificuldades de aceitação, mas tudo isso com muita diversão, risadas e emoção. Ela é vivida pela atriz Lu Camy com sua carinha angelical e amena, mostra que tem um talento enorme.

"A Ambrosina é um presente pra mim. Ela é um brinde a espontaneidade. É uma personagem que busca incansavelmente o amor e a realização dos sonhos. Não medindo esforços para tal. Aprendo e me divirto com todas as suas loucuras. Ambrosina para mim é a toda aquela parte cheia de paixão escondida ou não em cada um de nós" (Lu Camy)

Já nosso querido ator Gabriel Delfino Marques, dá vida a todos os personagens masculinos da peça: um galã, um gay, um tímido e gago rapaz, dentre outros, mas em momento algum ele se repete ou mesmo parece ser o mesmo ator.

Ele tem o capricho de conseguir se modificar na estatura, voz, semblante e toda e qualquer característica corporal de cada um, a performance desse ator é digna de prêmio.

"Eu faço todas as personas masculinas da peça... E pensando nelas, quando as apresento em cena, deixo que o amor que sinto pelo meu ofício as conduza por toda a peça.

Eu não procuro pelo amor, eu deixo que ele me encontre." (Gabriel Delfino Marques)

E por fim, entrando na peça, no lugar que antes era ocupado por uma atriz, eis que surge Victor Varandas, um ator performático ao extremo que, mesmo ostentando uma polpuda barba em seu rosto, consegue interpretar personagens femininos com uma sutil veia cômica, que aflora e propaga toda sua feminilidade, ele é pontual em cada gesto, é o tipo de ator econômico que sabe se policiar pra arrancar humor sem cair no exagero.

"É um grande prazer e uma diversão imensa poder brincar com diversas vozes e personagens, principalmente dentro desse mundo radiofônico. Interpretar mulheres é um desafio, mas nesta peça tudo é possível e o importante é fazer a plateia se divertir." (Victor Varandas)

Agora tudo isso só foi possível por causa de uma pessoa que assumiu toda a responsabilidade, se entregou e se empenhou a fazer um trabalho firme, cuidadoso, com muita segurança e acima de tudo com uma redoma familiar onde a descontração e o bom humor foram sua marca registrada. Estou falando de Rodrigo Pandolfo, que tomou para si a direção desse projeto e esteve presente em todos os setores, sendo não só um companheiro e um líder, mas também uma base forte, firme e agradável. Seus toques foram precisos e essenciais para todo o funcionamento e sucesso de tudo.


FICHA TÉCNICA

Texto: Anderson Bosh
Direção: Rodrigo Pandolfo
Elenco: Lu Camy, Victor Varandas e Gabriel Delfino Marques
Cenário: Miguel Pinto Guimarães
Figurino: Bruno Perlatto
Iluminação: Tomá́s Ribas
Trilha Sonora: Rodrigo Pandolfo
Direção Musical: Marcelo Alonso Neves
Preparação Corporal: Ana Achcar
Direção de Movimento e Coreografias: Victor Maia
Direção de Vídeos: Felipe Bond
Assistência de Direção: Victor Varandas
Visagismo: Sid Andrade
Fotos: Gui Maia
Programação Visual: Andrea Batitucci
Produção Executiva: Rodrigo Turazzi
Direção de Produção: Denise Escudero
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany



SERVIÇO

Local: Teatro do Leblon — Sala Fernanda Montenegro

Horário alternativo: terças, quartas e quintas às 21h

Duração: 60 min
Gênero: Comédia
Ingressos: R$60,00 e R$30,00 (meia entrada)
Temporada: até 12 de março

Fotos: Felipe Pilotto / Divulgação / Facebook dos atores

Por: João Loureiro Filho - CLIQUE AQUI e leia mais artigos de João Loureiro Filho

João é ator, cantor, mas descobriu-se crítico e aí sim viu que suas opiniões poderiam ajudar muitas pessoas a se decidirem e se descobrirem diante de assuntos dos quais ignoravam, desconheciam ou não davam importância. Participou ativamente de projetos de cinema e teatro, fez um blog de filmes temáticos LGBT. Em breve irá lançar um livro sobre como explorar bem Enredos Carnavalescos.

 
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