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sábado, 24 de janeiro de 2015

Agito Cultural: Peça infantil ‘Minha Adorável Verde Vida’ é inspirado na infância da Bruxa Má do Oeste

Em Neon: sábado, 24 de janeiro de 2015


RESPEITO!

Essa é a palavra que pode começar a introduzir essa peça em nossa memória cultural. Primeiramente por conta de seu texto, pontualmente trabalhado e direcionado a uma criança moderna, que já não é mais tratada como acéfala tão pouco incapaz de compreender mensagens firmes e ao mesmo tempo tao instrutivas.

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Mauricio Alves, além de ser o autor desse lúdico e emocionante espetáculo Infanto-Musical é também o responsável pela direção, fazendo com que, dessa forma, toda a magia imaginada e concebida por ele, pudesse assumir as formas originais de sua criação. Sua direção é vista em todo o processo de organização de falas, posicionamentos e mesmo marcações. Ele não nos poupa de
tamanha eficiência e o resultado final é um espetáculo simples de estrutura, mas muito firme e grandioso de criatividade e encanto.

"Esse espetáculo pra mim é uma homenagem a um dos personagens ícones do mundo musical, a Bruxa Má do Oeste, do filme "O Mágico de Oz". Sou muito fã e quando a mesma entrou em domínio público pensei que havia chegado a hora de escrever algo para este ser tão único de pele verde. Foi quando nasceu este lindo musical infantil com músicas inéditas incríveis. Eu só agradeço por todos os envolvidos no processo. Eu acreditei desde o início e sabe por quê? Porque eu tenho Esperança." (Maurício Alves)

Em outra situação que a palavra RESPEITO é muito bem acertada é a atenção das crianças durante a peça, pois elas ficam tão presas e vidradas em todo diálogo da história e em tudo o que seus personagens têm a oferecer, que acabam por se deixar guiar na fantasia e na maravilha de serem crianças.

Essa peça, assim como muitas ultimamente, está se utilizando de recursos visuais de projeção no lugar de cenários e objetos cenográficos, as vezes acaba por estragar a peça e se torna um ponto negativo, mas nesse caso, todo o efeito é válido e necessário, pois magias são realizadas e muitas surpresas encantadoras mexem com a mente e a imaginação para lá de fértil do mundo infantil.

Um detalhe, que é inesquecível, é a sincronia dos movimentos, tanto nas cenas em que se utiliza de projeções interagindo com o elenco, quanto nas danças, tudo isso, graças a um trabalho primoroso de Clara da Costa, a coreógrafa do espetáculo.

"Para esse espetáculo quis sair um pouco da simplicidade das coreografias de teatro infantil que muitas vezes acabam subestimando a inteligência da criança. Aliada à característica de cada personagem, a minha formação em dança contemporânea foi o diferencial no processo de criação, trazendo para o universo infantil uma estética diferente da que estão acostumados, onde crianças e adultos possam se identificar e se emocionar. É o meu quarto trabalho com a Cerejeira Produções e nosso intuito é sempre trazer o diferente e pensar em formas de inovar o teatro musical." (Clara da Costa)

Por parte da produção dessa montagem inédita e autoral, Maurício Alves conta com sua sócia da Cerejeiras Produções a também atriz Juliana Morganti, que interpreta a menina Bernarda.

"Criei um carinho muito grande pela minha personagem, Ela é uma menina comilona e "Maria vai com as outras", mas que no fundo só deseja ser feliz e encontrar uma família." (Julia Morganti).

 Já sobre a produção e a estrutura desse musical ela ainda nos fala mais: "O processo de criação do espetáculo foi muito prazeroso, pois criamos tudo! O texto é inédito e as musicas também. Quando se faz o que gosta, com amor, tudo vira uma grande celebração, "Verde Vida" é isso, entreter a criançada com muita musica, mas também passar uma mensagem de aceitação e respeito ao próximo.

O mais interessante é que as crianças se divertem e os adultos se emocionam, pois tratamos de assuntos delicados, com leveza.

"Tudo que a Esperança quer é ter amigos mesmo sendo diferente", disse Clarissa Marinho, sobre sua Bruxa.

E é dessa forma que a personagem vai ganhando espaço no coração das atenciosas e curiosas crianças da plateia, que ficam encantadas, primeiramente com a pele verde de Esperança e em sequência pelas situações que ela vai passando ao longo da peça, onde toda e qualquer criança, seja qual característica tiver, passa em sua fase inicial de adolescência.

As desilusões, preconceitos, tudo isso sem o amor de um pai ou uma mãe e tendo como única amiga, sua irmã e depois um leão medroso e falante.



"Perpétua é o estereótipo do ser rejeitado. Desilude-se ao ser abandonada e, por não sentir-se amada torna-se amarga e incapaz de transmitir afeto. No fundo é  uma mulher carente, que só  queria ser feliz." (Cristiane Maquiné).

Com essa apresentação da própria atriz podemos logicamente deduzir quem é a grande vilã da peça, que ela, com muito bom humor e talento, defende com unhas e dentes a permanência da mesma com suas falas, expressões muito bem desenhadas e um posicionamento que aproveita não só todo o espaço do palco, como também toda e qualquer parte do corpo da atriz.

Uma total entrega.


"Glenda é uma criança completamente sem limites, ela faz de tudo para conseguir o que quer, não há desafio que ela não enfrente e que não ganhe! Controladora e insensível ela passa por cima de qualquer pessoa para chamar atenção. Seu sonho é ser rica e eterna." (Joana Mendes)

Glenda, por ser uma menina linda, inteligente e esperta não se contêm ao ver que não consegue ser adotada e por isso passa a se tornar má e atormentar seus colegas órfãos.

É muito bem elaborada toda a concepção desse trabalho artístico por parte da atriz, que carinhosamente cuida de sua personagem como uma extensão de si mesma.

"É por trás de uma malandragem urbana e de certa forma bem carioca, que Leonel esconde sua falta de coragem. Seu jeito descontraído de encarar sua história, não pelo abandono, mas pelo amor que recebe com adoção da D. Alva, que o faz encarar com naturalidade a chegada da Esperança e todo seu universo, que aos seus olhos, sem julgo ou qualquer tipo de preconceitos é completamente normal!" (André Sigom)

A atuação de André Sigom, que de uma forma bem espontânea, faz parecer o tempo todo que é improviso, é bem descontraída, desde o momento em que ele surge na peça, até o seu desfecho, é alvo de muito humor, dancinhas malucas e texto afiado. Impecável na sua forma de atuar, ele faz com que o público adulto se esqueça da idade que tem e se renda aos sorrisos e aplausos em cena aberta.

Ainda no elenco masculino temos o querido ator Erick de Lucca, que dá vida ao personagem Filipo, um típico garoto nerd que atrás de seus óculos, nada enxerga, é bobo, é atrapalhado, mas ao mesmo tempo ingênuo.

Dessa ingenuidade acaba indo parar no time da vilania, mas ele é tão absorto em suas atitudes, que somente depois de horas, alguém conta que Esperança é verde, pois ele nem havia notado ainda.

É gostoso ver essa interpretação doce de uma criança que sonha em ser um grande matemático e ter um casal de pais adotivos pra cuidar dele.

Temos como grande presença bondosa e carismática, responsável por cuidar das endiabradas crianças e mais ainda, das duas novas que chegam cheias de amor, carinho, sofrimento e sonhos, uma atriz que dispensa apresentações.

Carmem Costa, com seu talento e carisma para com as crianças, desempenha com desenvoltura sua Alva, a serviçal do orfanato que é explorada por Perpétua e tem como um filho adotivo um leão falante e medroso, que ela acolheu desde filhote e o esconde, pois sabe que não poderá ficar com ele, caso alguém no orfanato descubra.

Ela é uma espécie de mãe protetora, não só do leão, como de todas as crianças e sua semelhança com a atriz Julie Andrews é tao fantástica que não tem como não se lembrar de "A Noviça Rebelde".

"A Lilás é uma menina fiel e muito carinhosa. É alegre e gosta de brincar. O que eu mais admiro nela é a relação que ela tem com a irmã, da qual ela não aceita se separar de jeito nenhum e a defende sempre!" (Isabella Igreja Bastos)

Mas calma, nem tudo é ruim na vida da verde Esperança, ela tem uma linda, dócil e companheira irmã de nome Lilás, que a defende e a protege de tudo que é ruim, sendo sua melhor amiga.

Com seu jeitinho de menina e sua docilidade abundante, a atriz aflora todas as qualidades necessárias para a execução de uma personagem tão rica de sentimentos e lições para lidar com as desventuras da vida de sua irmã.



Por fim, tenho que dizer que com esse elenco, toda essa estrutura bem estudada, trabalhada, cuidada com mimos de um filho, a única coisa que você pode esperar é grandes emoções, risadas e além de tudo, um forte ensinamento que o bullying é algo prejudicial, que, infelizmente, ninguém está livre e que todas as pessoas devem ser amadas e respeitadas independente de suas características, diferentes ou não.

Ficha Técnica
Direção: Mauricio Alves
Texto: Mauricio Alves
Músicas e arranjos: Altair Araújo
Coreografia e direção de movimento: Clara da  Costa
Diretor Musical: Altair Araújo
Preparador vocal: André Sigom
Cenografia e videos: Renato Marques
Iluminação: Rubia Vieira
Figurino: Vera Melo
Elenco: Com: André Sigom, Carmen Costa, Clarissa Marinho, Cristiane Maquiné, Erick de Lucca, Isabela Igreja, Joana Mendes, Julia Morganti e Thaís Rocha
Produção: Cerejeira Produções


Serviço
Dias e horários: Sab e dom às 16h
Local: Solar de Botafogo
Endereço: Rua General Polidoro 180 - Botafogo - Rio de Janeiro, RJ
Preço: R$ 60,00 / R$ 30,00(Meia)
Duração: 60 min
Temporada: De 10/01/2015 Até 01/02/2015

Fotos:  Renato Marques, Facebook dos atores e Divulgação

Por: João Loureiro Filho - CLIQUE AQUI e leia mais artigos de João Loureiro Filho

João é ator, cantor, mas descobriu-se crítico e aí sim viu que suas opiniões poderiam ajudar muitas pessoas a se decidirem e se descobrirem diante de assuntos dos quais ignoravam, desconheciam ou não davam importância. Participou ativamente de projetos de cinema e teatro, fez um blog de filmes temáticos LGBT. Em breve irá lançar um livro sobre como explorar bem Enredos Carnavalescos.

 
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