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domingo, 8 de junho de 2014

O Mundo de uma Crossdresser: A intimidade de uma CD homossexual

Em Neon: domingo, 8 de junho de 2014



Bruninha Loira Sapeka surgiu em um determinado momento de minha vida no qual eu pensava que não suportaria uma traição de um casamento de anos, pois cheguei ao fundo do poço, a ponto de perder emprego, não conseguir nem ao menos dormir e permanecer em público. Sentia que meu peito explodiria de tamanho sufoco. Meu melhor amigo relata que no meio de uma conversa telefônica eu simplesmente sumia, não ouvia absolutamente nada, e então desligava o telefone sem ele obter nenhuma resposta se havia alguém do outro lado da linha.

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O retorno às boates... isso foi mais frustrante ainda, porque quando você está de fora, consegue visualizar melhor as coisas que não enxergava antes. Comecei a perceber que não me enquadrava no estereótipo dos gays frequentadores de baladas, onde quem obtinha sucesso nas conquistas, eram os gays que trajavam roupas de grife, tinham cabelos arrepiadinhos e corpos malhadinhos.

Nas baladas também se ouve piadinhas sobre passivos, como se o ativo fosse superior, mais uma vez os rótulos surgem apenas para atrapalhar a relação interpessoal. Os mais esclarecidos sabem que ambos, passivo e ativo, participam na relação, ou seja, os dois interagem simultaneamente no sexo, o ativo precisa do passivo e vice versa. Não existe superioridade de nenhuma das partes, o que existe é igualdade sexual, uma interação sexual, passivo não é sinônimo de submisso.

No relacionamento heterossexual a mulher não é inferior ao homem por ser passiva. Tanto o gay passivo quanto a mulher podem estar mais participativos na relação do que o ativo. Existem também os passivos com personalidade sexual dominadora, neste caso os submissos são os ativos.

Era para o mundo das baladas que meu marido pretendia voltar, eu era fiel, tínhamos uma vida maravilhosa, fazíamos coisas muito gostosas a dois, desde cozinhar a viagens, mas ele sentia falta da bagunça e do ritmo frenético das noites de solteiro. Hoje percebo que o erro foi amar e dar mais atenção a ele do que a mim mesmo. Hoje aprendi que me amo em primeiro lugar... Quem se ama não precisa da aprovação de ninguém para ser feliz, simplesmente é feliz independente de opiniões alheias.

No movimento crossdressing aprendi que o patinho feio da balada pode se tornar uma princesa. Aqueles modelos de homens gogo boys, que me satisfaziam apenas em olhar para seus lindos corpos ou, em alguns casos, na hora da apresentação deles na balada, com uma passadinha de mãos em suas pernas, atualmente fazem parte do estilo de homens que me procuram. As coisas se inverteram, homens que antes eu desejava hoje me relaciono. Esta talvez tenha sido a minha maior surpresa quando me tornei uma crossdresser.

Esses homens, que na grande maioria estão casados com mulheres, são bonitos, viris, másculos, ou seja, de todo jeito e cor, ao serem questionados a respeito de sexualidade não carregam rótulos em suas respostas. Não respondem que são bissexuais ou qualquer outra rotulagem, dizem que gostam do gênero feminino e isso é percebido pelo jeito que me tratam: como uma mulher. Desde o momento que se apresentam, com um beijinho no rosto e pela forma de conversar, até mesmo pelo jeito que seguram minha mão ao caminhar para outro cômodo do local. Digo cômodo, pois as crossdressers, em sua grande maioria, não circulam por ai montadas (vestidas de mulher), é algo estritamente secreto, muitas vezes não revelam para ninguém, em seu circulo social, que são CD.

As que circulam montadas já estão ultrapassando a fronteira que distingue o crossdresser da travesti. O CD transita entre os gêneros, permanecendo em seu gênero original, no caso dos homens o masculino.

O crossdresser consegue trabalhar, estudar, ter um relacionamento familiar, tudo no mais absoluto sigilo, justamente pela facilidade de transitar entre os gêneros. Por esta razão o número de adeptos vem crescendo enormemente nos últimos anos e consequentemente seus admiradores, devido ao tamanho fascínio que é despertado pelo secreto mundo de uma crossdresser, que eu Bruninha Loira Sapeka, venho revelando, aqui Em Neon.

Imagem: Reprodução

Por: Bruninha Loira Sapeka

Bruninha Loira Sapeka é uma crossdresser, militante da causa, blogueira, escritora, autora do livro “Segredos de uma Crossdresser Cdzinha”, viaja o Brasil prestando assessoria à crossdressers  iniciantes em encontros, palestras e eventos que envolvam esta mais recente faceta do mundo LGBT. Seu blog é:www.bruninhaloirasapeka.blogspot.com


 
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