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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Entrelinhas/Arte: Analice Uchôa me oferece o céu na terra

Em Neon: quinta-feira, 24 de abril de 2014



Andando sem rumo pela bela orla da manhã quente de João Pessoa, na Paraíba, o bom e velho acaso me surpreendeu mais uma vez. Ele me levou à Estação Cabo Branco, onde fica o Museu da Ciência e um charmoso complexo de arte. A Estação é um projeto deslumbrante assinado por Oscar Niemeyer. Do Museu da Ciência se vê o mar de João Pessoa a perder de vista. Deixa-se parte do coração por lá.

Com todo respeito ao mestre Niemeyer, minha melhor descoberta na paisagem daquela manhã foi Analice Uchôa. Encontrei a obra dessa moça paraibana exposta numa simpática lojinha de arte da Estação.

Um quadro em especial tirou meu fôlego. Sem nome, ele mostra a alegria de um dia de praia perfeito. Todos se divertem. Gente de toda idade. Não se paga imposto para ser feliz ali dentro. Há também um sol vermelho, nuvens cor de laranja, guarda-sóis e um coqueiro solitário, sobre o qual Analice Uchôa assina. 

E há barcos e jangadas flutuando, não sei se sobre o mar ou sobre o céu. Sinto que flutuam todos, gente e objetos, pelo céu azul. Que tudo ali dentro é céu. Assim como se misturam o céu e o mar da orla de João Pessoa nos dias de sol intenso. E não me importo em procurar onde acaba o mar e onde começa o céu. Me perco no azul do pequeno vasto quadro de Analice Uchôa. 

Quero levá-lo comigo, porque imagino que possa viver dentro dele. Mas, se entro lá, não volto para casa. Porque o azul de Analice Uchôa é um belo endereço para se morar, para se amar, para construir o que eu imagino ser uma vida feliz. Sim, eu seria feliz lá dentro, vivendo num interminável dia lindo de praia. 

Não levo o quadro comigo. Deixo ele lá. Há coisas que não se pode ter na hora que se quer. Há coisas que estão lá guardadas, esperando pela gente. E, mesmo que algumas vezes distantes, estão sempre perto do que nos sobra do coração.

De volta para casa, procuro por Analice Uchôa. E a encontro em sua página da internet. Sentada, vestindo azul, uma taça de vinho na mão. Analice tem um sorriso lindo, abundante em felicidade. Imagino que é dali, do sorriso de Analice, e não de sua cabeça, que brotam as imagens com as quais ela preenche suas telas.

Há muito a se dizer sobre a vida e a carreira de Analice Uchôa. Mas para mim, o que fica é a promessa do céu azul na terra. O que Analice Uchôa me dá é a possibilidade do céu aqui e agora, sem demora, sem intermediários, sem carnê no fim do mês, sem multa. Fico lá, entregue a esse céu. Eu mereço esse céu. Todos merecemos esse céu. Obrigado, Analice!




Por: Tarcísio Lara Puiati

Tarcísio Lara Puiati é poeta, dramaturgo, roteirista e diretor. Realizou filmes de curta-metragem premiados como “Cowboy” e “Homem Bomba”. Em 2013, lançou o livro “Rabiola”, pela editora 7Letras. É autor da Rede Globo de Televisão, onde colaborou em “O Astro”, de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, premiada como melhor telenovela no Emmy Internacional 2012. Faz parte da Companhia de Teatro Íntimo e da produtora Caju Cinema.



 
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