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terça-feira, 11 de março de 2014

Dindry Buck: Carnaval – A festa da Magia e da Realeza

Em Neon: terça-feira, 11 de março de 2014

Carnaval é uma das grandes paixões da minha vida. Fui apresentado a essa festa ainda criança, pela minha avó afetiva Elisa Maria de Jesus. Ela quem fez a minha primeira fantasia, me colocou nos ombros e saiu pelas ruas da minha pequena cidade no interior de Minas Gerais – São Francisco – atrás dos blocos que alegravam os moradores.

Na adolescência, quando minha mãe comprou nossa primeira televisão, por coincidência em pleno carnaval, me encantei pelos desfiles das Escolas de Samba cariocas e surgiu a minha paixão pela Mocidade Independente de Padre Miguel – amor à primeira vista, a campeã daquele ano.

O meu presente de 15 anos foi ir com minha amada mamãe ao Rio de Janeiro conhecer o carnaval carioca.

De lá para cá sempre vivi e curti o carnaval intensamente, só deixando de desfilar um ano, por motivos bobos e aquele ano foi um dos piores para mim.

Em meados de 2013 – no mês de agosto – recebi dois convites que coroariam para sempre essa minha paixão pelo carnaval e para qualquer apaixonado dessa festa de momo. Fui escolhida para ser Rainha de Bateria de uma Escola de Samba e Musa dos Destaques de outra. Foi o ápice!

Aquilo para mim foi um presente e tanto. Deixou-me mais que emocionada, tensa, pelo fato da responsabilidade é claro, mas fiquei muito lisonjeada. 

Para quem não entende de carnaval, a Rainha de Bateria tem que ser bem quista pela comunidade, ter empatia com os membros da bateria e carregar todo um simbolismo em sua participação, junto aos dias que antecedem o carnaval, bem como no grande dia. Não se vira Rainha da noite para o dia. 

O convite partiu do carnavalesco J Ivo Brasil, que levou a ideia para a comunidade, de uma proposta um tanto quanto inovadora: a Rainha viria à frente da bateria juntamente com a corte – geralmente quando se tem uma Rainha de Bateria Drag Queen ou Transformista em uma Escola de Samba, ela vem como destaque de chão na frente de alguma ala – a ideia foi acolhida por todos e no dia 31 de agosto de 2013 aconteceu a minha coroação como Rainha Gay/Drag Queen de Bateria do G.R.C. Escola de Samba Boêmios da Vila – uma Escola do Grupo 3 do Carnaval paulista, que havia acabado de subir do Grupo de Vaga Aberta e no Carnaval desse ano, fez bonito, foi a quarta colocada disputando com 12 agremiações.

Já em Outubro, quando se comemorava o Dia das Crianças, como me identifico muito com a questão social, entrei em contato com o vereador Floriano Pesaro e ele conseguiu, junto a alguns amigos, vários brinquedos e foi realizada uma festa para as crianças da comunidade. Lá estava eu levando meu carinho, meu agradecimento e fazendo a festa das crianças.

Ser Musa em uma Escola de Samba é representar um setor ou algo importante dentro da Escola. Os destaques do G. R. C. Escola de Samba Unidos de Santa Bárbara prepararam-me uma surpresa: marcaram uma reunião e lá fui eu, chegando lá o Diretor de Carnaval J. Ivo Brasil (olha ele de novo) e o Carnavalesco Anderson Paulino expuseram para todos os destaques, o desejo de que eu fosse a Musa dos Destaques da agremiação, fiquei sem ação na hora e mais feliz ainda quando, por unanimidade, fui conclamada a Musa de todos aqueles que, de uma forma mais que especial, fazem com o que o carnaval seja mais glamoroso.

No dia 08 de dezembro aconteceu minha condecoração e de uma forma especialíssima, a minha mãe foi quem me entregou a faixa. Surpresa maior foi quando soube que viria a frente do abre alas apresentando a Escola a todo o público presente no sambódromo.

Duas emoções que com certeza nunca esquecerei em minha vida. Só tenho a agradecer a todos os envolvidos nessa linda história. Com certeza o Carnaval de 2014 foi o Carnaval dos sonhos e de realizar sonhos.

Quem diria que eu, a plebeia Drag Queen Dindry Buck, vinda lá do interior das Minas Gerais, trazendo na bagagem sonhos e muitas fantasias, um dia se tornaria Musa e Rainha.

Sempre agradeço a Deus pelo meu dom, por ter uma mãe fantástica, amigos que fazem minha vida ser mais que especial e fãs que sempre torcem por mim (isso fica para um outro artigo).

Não esqueçam, viemos num mundo com uma simples e única missão: “Ser feliz e fazer os outros felizes”.
Bzus...
Dindry Buck
dindry@gmail.com

Por: Dindry Buck

Dindry Buck, personagem vivida pelo Publicitário, Jornalista, Ator e Maquiador Albert Roggenbuck. Formado em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda, pela Universidade São Judas Tadeu – São Paulo, trabalha em eventos como animadora, apresentadora e hostess. É ativista social pela causa LGBT, sendo o atual Conselheiro representante dos Transegêneros junto ao Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual. 



 
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