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quarta-feira, 12 de março de 2014

Mudança de Hábito: Tolerar a tolerância – cada vez mais!

Em Neon: quarta-feira, 12 de março de 2014

Com muita alegria recebi o convite dos amigos Eduardo Moraes e Maurício Code para escrever impressões pessoais sobre a vida e o viver, no novo e necessário site “Em Neon”, que agora vai ao ar. Quisera eu e tenho certeza, muitos dos que leem esse escrito, que esse tipo de reflexão não fosse mais necessária. 2014 período chamado Pós-convencional – consciências se ampliando, tantas novas possibilidades se apresentando... E ainda assim, iniquidades contra seres humanos, que ousam assumir suas identidades na plenitude, continuam acontecendo. Atrocidades que assumem uma forma moralista, hipócrita e cruel nos chegam aos ouvidos quase que diariamente – pessoas que em nome da moralidade e bons costumes, defendem a agressão, opressão e covardia em relação às diferenças que suas torpes humanidades não toleram.

Tolerância por sinal é um termo que não tolero na maior parte das vezes – tolerar parece pressupor “superioridade”, “benevolência” – coisa de “pessoas do bem”, que aceitam as minorias, os desajustados e desviados do melhor caminho. Pois afirmo que não tolero os que toleram a diversidade das condições de gênero. A essa altura, desconsidero qualquer posição que se pretenda defensável em relação ao que é certo e errado, especialmente quando essas opiniões baseiam-se em argumentos ignorantes, preconceituosos e arbitrários.

É execrável qualquer posição moral que defina a qualidade de um ser humano pelo que ele vive em sua vida erótico/afetiva. Anseio pelo dia em que a mania idiota e soberba de alguns seres - ditos humanos - de proferirem o que é certo e errado, seja banida do dicionário da decência humana verdadeira.

Lamento e me envergonho por cada arbitrariedade proferida em nome da moral e bons costumes. Aliás, lembremos que ética não é sinônimo de moral e “bons costumes”, nada tem a ver aprioristicamente com “costumes do bem”. 

Se há de haver tolerância, que possamos tolerar os que toleram. Exercício duro e talvez ainda necessário. Normal não é sinônimo de natural- percebo que até pessoas bem intencionadas acabam perpetuando o preconceito absurdo enraizado no bojo da moral hipócrita. Frases como “tenho amigos gays” ou “tenho amigos negros” me viram do avesso. A natureza não aceita ofensa: qualquer humano que assim se pretenda deve considerar as manifestações humanas nas suas mais variadas formas.

O afeto e desejo é terra que a moralidade e racionalidade não pisam. Os que se atrevem a tentar colonizar os anseios de seus próximos, que corram riscos, cada vez maiores, de precisarem ser tolerados.

Que possamos exercitar de tal forma nossa doçura, a ponto de tolerarmos os que toleram.

Abraços carinhosos!

Foto: Divulgação/Folha do Sul

Por: Ana Kiyan

Ana Kiyan é pedagoga, psicóloga, Gestalt-terapeuta, Mestre em Psicologia Clínica e Doutora em Psicologia Social pela PUC/SP. Docente na Pós-Graduação da USJT/SP e UNESP e Supervisora do Projeto de extensão Artinclusiva da UNESP. Autora de livros em psicologia, Gestart-terapia e novas condições de gênero e sexualidade.




 
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