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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Música/Lançamento: Barbra Streisand lança novo álbum com duetos

Em Neon: terça-feira, 30 de setembro de 2014



Foi lançado nesse mês de setembro o novo álbum da diva Barbra Streisand, entitulado "Partners". Nele a cantora faz dueto com vários astros da industria musical e canta com seu filho Jason Gould, de 47 anos, que é gay assumido e o orgulho da mãe.

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O novo álbum, que tem a produção executiva de Barbra e Jay Landers, é produzido por 'Babyface' e Walter Afanasieff. O álbum é composto por 12 canções, muitas das quais são consideradas como clássicos de Streisand. Entre as canções incluídas estão "New York State Of Mind", com Billy Joel , "It Had to Be You", com Michael Buble , "Come Rain Or Come Shine", com John Mayer, "Love Me Tender", com Elvis Presley, "The Way We Were", com Lionel Richie , "What Kind Of Fool", com John Legend , "People", com Stevie Wonder, "I Can Still See Your Face", com Andrea Bocelli , "Evergreen", com Babyface, e é claro a canção com seu filho Jason Gould , em "How Deep Is The Ocean".

Novo álbum quebra recorde nas paradas musicais 


Mais uma vez Barbra Streisand faz história na música. Com seu novo álbum, além dela alcançar novamente o topo das paradas, Barbra se tornou a primeira artista a alcançar essa proeza em seis décadas diferentes.
"Partners" vendeu 196 mil cópias na última semana nos Estados Unidos, garantindo para Streisand o primeiro lugar na parada da Billboard. Sendo assim, foi a décima vez que Streisand chegou ao número um das paradas dos Estados Unidos.

O álbum pode ser comprado pelo iTunes.com ou pelo site oficial da cantora AQUI. No Brasil a versão Deluxe é composta por dois CDs com 13 duetos inéditos e quatro clássicos, como a linda música “I’ve Got A Crush On You” com Frank Sinatra.

Imagens: Divulgação

Por: Eduardo Moraes

Eduardo Moraes é jornalista formado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) além de fotógrafo há 15 anos. Em seu curriculum estão o Jornal e Site Abalo, a Exposição O "T" da Questão e o Livro Avesso - Meu Lado Certo. Atualmente é editor-chefe do site www.EmNeon.com.br

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Especial Deena Love: Nasce uma estrela!

Em Neon: segunda-feira, 29 de setembro de 2014



Quando entramos em contato com Pedro Novas Figueiredo, que dá vida à personagem Deena Love, ficamos surpreendidos com a educação, carinho e atenção que fomos recebidos por ele. Dissemos a Pedro que queríamos homenagear e ter Deena como nosso especial do mês. Ele se emocionou, sentiu-se honrado e aceitou de imediato. Pronto, se a simpatia e o encantamento que tivemos ao vê-lo se apresentar no "The Voice Brasil 3" foi grande, esse contato nos fez ver que a homenagem é mais que justa a esse criador e a essa personagem, uma dupla em um que tem tanto valor, que ainda surpreenderá muita gente. Uma humildade que fará Pedro/Deena irem muito além de um programa de TV. O prêmio, nós telespectadores já recebemos, essa joia rara só irá mais e mais ser explorada, admirada e amada por quem tem bom gosto e sabe valorizar o que é bom.

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Pedimos licença a Pedro, afinal de contas ele mesmo optou por ser coadjuvante e deixar o papel principal a Deena Love, para destacá-la e homenageá-la no site, fato que estamos muito orgulhosos de fazer.

Mas enfim, como nasceu Deena Love?

Pedro Figueiredo, 28 anos, acha que começou a cantar antes mesmo de começar a falar. Sua veia musical pulsa forte desde o berço, quando aos 2 anos já cantava a música "Tico Tico no Fubá", de Carmen Miranda, antes mesmo de pronunciar qualquer palavra perfeitamente.

O Pedro criança cresceu em um cenário musical, visto que seu avô e pai eram músicos. Com a avó passava horas ouvindo discos das grandes cantoras do rádio como Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira e é claro, Carmen Miranda.
 
Em pleno vigor de sua adolescência começou a cantar profissionalmente, aos 16 anos, em um bar de São Paulo, juntamente com o pai. Não parou mais. Trabalhou como crooner de orquestra e em cruzeiros internacionais. Viajou por mais de 30 países. Foi quando veio a ideia de se vestir de mulher para uma apresentação em um cruzeiro. Ele se vestiu de Amy Winehouse e cantou todo o repertório da cantora. Sucesso certo. O que era uma brincadeira passou a ser seu ofício, após criar Deena Love, em 2011, moldada da forma que mais lhe agradava: Uma Drag Queen que cantasse as grandes cantoras. E Pedro criou Deena Love! Do “nascimento” de Deena até o começo de 2014 ele cantava como Pedro nos cruzeiros, cerca de 10 meses no ano e nos outros dois meses reinava Deena Love em apresentações na cidade de São Paulo.Hoje em dia faz aproximadamente três shows semanais.

Mas Pedro é determinado e categórico: “Não tenho pretensão alguma de virar mulher, quero apenas homenageá-las cantando e me vestindo com roupas vintage e visual diferenciado”. Pedro é gay assumido e mora com Jadir, seu companheiro, em uma casa no mesmo terreno da avó. A família é uma parte importantíssima na vida dele, pois sempre foi aceito, respeitado e muito mais que isso, sempre foi muito amado por todos. O reflexo de tanto amor é notado na personalidade e na simpatia que ele transmite ao ser abordado.

Um rapaz educado, uma Drag poderosa. Pedro e Deena irão conquistar os coração de todos com a simpatia que lhes são peculiares. Sejam bem-vindos.

Imagens: Divulgação

Por: Eduardo Moraes

Eduardo Moraes é jornalista formado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) além de fotógrafo há 15 anos. Em seu curriculum estão o Jornal e Site Abalo, a Exposição O "T" da Questão e o Livro Avesso - Meu Lado Certo. Atualmente é editor-chefe do site www.EmNeon.com.br

sábado, 27 de setembro de 2014

Caminhos: Salve Ibeji, Erê, São Cosme e São Damião!

Em Neon: sábado, 27 de setembro de 2014



Salve as crianças, a pureza, a inocência e a sinceridade! Salve Ibeji, Erê, São Cosme e São Damião!

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Ao longo dos meses de setembro e outubro os terreiros de umbanda e candomblé abrem suas portas para receberem as crianças para o tradicional carurú, comida feita à base de quiabo e pedaços de frango. Esse ritual é feito em homenagem às divindades Ibeji e aos Erês que muitas das vezes são confundidas como sendo a mesma divindade.

Ibeji é o Orixá-Criança, em realidade, duas divindades gêmeas infantis, ligadas a todos os orixás e seres humanos. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.


Erês que vem do ioruba Kere – pequeno, é o intermediário entre a pessoa e o seu Orixá é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si e representa a pureza, a inocência, e a sinceridade. Trazem com eles todas as coisas boas que uma criança pode trazer para uma casa: alegria, boas novas e esperança.

Tanto os Erês quanto Ibeji são sincretizados como São Cosme e São Damião e por isso em Salvador, onde o sincretismo é mais forte, suas festividades são realizadas no dia dos santos católicos, 27 de setembro, se tornando uma grande festa chamada de Caruru de São Cosme e Damião.

De hoje à 12 de outubro vamos festejar as crianças, a pureza, a inocência e a sinceridade porque como dizem os mais velhos “Quem come caruru não pega feitiço!”.

Fotos: Reprodução

Por: Káriláde

Káriláde - Sacerdote de Orixá, pesquisador e membro do CETRAB - Centro de Tradições Afro-brasileiras.  Terça: dia da Vitória na cultura Iorubá.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Teatro: Maite Schneider encena monólogo ousado e dá seu grito de liberdade

Em Neon: quinta-feira, 25 de setembro de 2014



Atriz, militante, linda... assim é Maite Schneider. Para comemorar seus 42 anos de idade e dar seu grito de liberdade, livrando-se das amarras, ela irá encenar  “Escravagina”, monólogo escrito por César Almeida. Mas para que isso aconteça, Maite começa uma campanha para conseguir dinheiro necessário para a produção do espetáculo.

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Maite adianta que é um espetáculo ousado, sensorial e para desmistificar muita coisa que envolve o tema transexualidade. Ela aparecerá nua em cena, realmente despida de roupa e alma. Maite além de uma cena de masturbação, terá um momento em que pessoas do público, sorteadas aleatoriamente, irão tocá-la e poderão ver e tirar suas dúvidas, por exemplo, de como é a vagina de uma transexual que fez cirurgia. A cena é de pura adrenalina, pois por serem pessoas sorteadas, Maite não sabe quem a irá tocá-la e qual a reação que a pessoa poderá ter: “É como uma roleta russa”, diz a atriz que deixa claro que a peça não é uma encenação pornô, mas um espetáculo onde ela própria está rompendo seus preconceitos, expondo-se ao máximo, transformando suas limitações em alvos a serem ultrapassados: “É exposição total da figura humana retrabalhada em tempos em que a liberdade de expressão é confrontada com o fundamentalismo", define Maite.

A contagem regressiva já começou. Fãs, militantes, amigos, todos podem ajudar. Basta fazer uma doação a partir de R$ 30,00 (trinta reais). “Escravagina” é um projeto independente feito por pessoas que acreditam na arte como libertação e como possibilidade de novas descobertas. “Criamos um projeto dentro do Catarse e você pode colaborar de diversas formas” diz Maite. O dinheiro arrecado será utilizado no pagamento de locação do teatro, locação de equipamentos, material publicitário, cachês da equipe técnica envolvida, 13% para o site Catarse e na manufatura de algumas recompensas que serão entregues: “Para cada doação/participação você tem direito a recompensas conforme poderá ver no site, incluindo par de luvas para explorar e conhecer o meu corpo em cena e até mesmo ter o seu nome/logomarca tatuado no meu corpo”, explica a curitibana. Não fique na curiosidade, CLIQUE AQUI para conhecer mais de “Escravagina” e também para fazer a sua contribuição. Basta clicar em APOIAR ESTE PROJETO e escolher a melhor forma de colaborar.

Veja abaixo vídeo explicativo do monólogo:


A Redação

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Super T: Jo Clifford, dramaturga transexual escocesa, dá palestras em São Paulo

Em Neon: quarta-feira, 24 de setembro de 2014


Jo Clifford deu palestras no Centro de Formação das Artes do Palco, em São Paulo

A dramaturga transexual Jo Clifford teve um encontro com as Travestis e Transexuais brasileiras, proporcionado pela SP Escola de Teatro, Centro de Formação das Artes do Palco,  que em sua grade de funcionários contrata pessoas Travestis e Transexuais entre elas quatro recepcionistas e outras qualificações.

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Além de dramaturga, Jo Clifford é performer, jornalista, radialista, professora e autora de cerca de 80 peças. Sua presença no Brasil, se deu graças ao convite do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council.

A importância de Jo é inegável. No West End de Londres, ela é a primeira dramaturga assumidamente transexual a ter uma peça encenada no circuito comercial.

O tema do encontro foi a situação atual do movimento LGBT e especialmente sobre as necessidades para a nossa população de TTs.

Ivam Cabral, Diretor Executivo da SP Escola de Teatro e Laerte Coutinho, cartunista 

O encontro com Jo Clifford reuniu a cartunista Laerte Coutinho, recepcionistas da Escola e o diretor executivo Ivam Cabral. Nós pessoas Travestis e Transexuais tivemos a oportunidade de mostrar um pouco da história da Travestilidade e Transexualidade no Brasil, assim como Jo Clifford contou o processo de vida dela em seu país.

Renata Peron, Jo Clifford, Andréa Zanelato, Flávia de Araujo, Paloma Pêssego, Brenda Oliver e Kimberly 

Jo Clifford ministrou também, nesse período na cidade de São Paulo, um workshop no 6º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, voltado para quem está se iniciando na carreira de dramaturgo.

Fotos: Simon Baker, Mundo T e arquivo pessoal

Por: Kimberly Luciana Dias

Kimberly é Blogueira (www.mundot-girl.blogspot.com.br), Estilista e Must em acessórios para quem faz shows. Natural da cidade de Fernandópolis, interior de SP, é dona de alguns Títulos de Beleza e Talento Profissional. É atuante na militância pelos direitos das Travestis e Transexuais.


Curiosidades: Exposição com Barbies e Kens personificando Jesus, Virgem Maria e santos causa polêmica na Argentina



A dupla de artistas argentinos "Pool e Marianela", de Rosário, provocou críticas e escândalo nas Redes Sociais ao publicarem os bonecos religiosos que estarão na exposição "Barbie, A Religião de Plástico", que será apresentada em Buenos Aires a partir de 11 de outubro.

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Serão expostos 33 bonecos Barbie e Ken adaptados às religiões católica, muçulmana, espírita, budista e judaica, assim como crenças populares argentinas. A Barbie aparece nas versões de Virgem de Guadalupe, Nossa Senhora de Luján (padroeira da Argentina), Nossa Senhora de Itatí, Maria Madalena, a Virgem de Aparecida e da Virgem de Lourdes. Enquanto Ken pode ser encontrado em versões de Buda, San Caetano, São Sebastião, São Roque, São Jorge, Santo Expedito, Sagrado Coração de Jesus e Jesus Crucificado.

A boneca da "Difunta Correa" causou rebuliço entre os artistas e o governo local
Os bonecos causaram indignação em muitas autoridades religiosas. No santuário Vallecito, na província de San Juan, criaram caso com a boneca da “Difunta Correa” (uma figura considerada milagrosa na Argentina e que atrai legiões de fiéis),  uma vez que ela é uma marca registrada, usada exclusivamente pelo governo local. Por isso o ministro Adrian Cuevas, quer processar os criadores por uso da imagem, pois os artistas não "pediram permissão" para personificá-la na boneca.

Os artistas Pool e Marianela com sua coleção polêmica
Em uma entrevista Marianela  disse: "Nós sabíamos que poderia haver alguma controvérsia com a Mattel (empresa que cria os bonecos de brinquedo), mas nunca imaginamos que teria que pedir permissão para usar a imagem da ‘Difunta Correa’”. Seu parceiro, Pool, também explicou que eles "nada têm contra as religiões e tiveram o cuidado de respeitar as crenças."

Os dois artistas já haviam trabalhado com figuras conhecidas da Argentina como o jogador de futebol Diego Maradona, Juan Domingo Perón e Evita, a presidente da república Cristina Fernández grávida e até o Papa Francisco. Esta  é a primeira vez que eles fazem uma coleção dedicada à religião.

A polêmica gerada não estava nos planos da dupla, que disse não ser má intencionada, nem querer provocar ninguém, nem tão pouco qualquer religião.

Assim que findar a exposição em Buenos Aires, várias galerias de arte da Argentina querem receber a exposição e tem vários países interessados que "Pool e Marianela" façam suas figuras religiosas locais.

Veja abaixo outros santos feitos pelos artistas:






Por: Eduardo Moraes


Eduardo Moraes é jornalista formado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) além de fotógrafo há 15 anos. Em seu curriculum estão o Jornal e Site Abalo, a Exposição O "T" da Questão e o Livro Avesso - Meu Lado Certo. Atualmente é editor-chefe do site www.EmNeon.com.br

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Especial Jean Wyllys: Entrevista exclusiva para os leitores do Em Neon

Em Neon: segunda-feira, 22 de setembro de 2014



Jean Wyllys de Matos Santos (Alagoinhas, 10 de março de 1974) é Jornalista com mestrado em Letras e Linguística pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), professor de Cultura Brasileira e de Teoria da Comunicação na ESPM e na Universidade Veiga de Almeida - ambas no Rio de Janeiro. Em 2004 Wyllys ajudou a criar o curso de pós-graduação em Jornalismo e Direitos Humanos da Universidade Jorge Amado, em Salvador (BA).

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Jean é escritor, tornou-se conhecido nacionalmente após ganhar uma edição do reality show Big Brother Brasil, da Rede Globo, em 2005. O ex-BBB foi eleito deputado federal com a menor quantidade de votos pelo Rio de Janeiro, com 13.016 (0,2%) votos válidos, ele conseguiu a vaga graças ao desempenho do deputado federal Chico Alencar, do seu partido, que conquistou 240.671 (3%) dos votos. Em 2012, no Prêmio Congresso em Foco, Jean foi eleito pelos internautas o melhor deputado federal do Brasil.

Em seu site oficial, o deputado afirmou ser alvo de uma campanha caluniosa, e juntamente com os deputados Erika Kokay (PT-DF) e Domingos Dutra (PT-MA) protocolaram uma representação criminal por calúnia, difamação, falsificação de documento público, injúria, falsidade ideológica, formação de quadrilha e improbidade administrativa, por atos cometidos pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP), por alguns assessores políticos do mesmo, pelo pastor Silas Malafaia, e por algumas pessoas ainda não identificadas. Abertamente homossexual, Wyllys afirma que defenderá os direitos humanos durante sua carreira política.

Eduardo Moraes e Endy Van-Erven ouvindo atentamente as palavras de Jean Wyllys
No dia 16 de agosto, estivemos com Jean Wyllys na Livraria da Travessa do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), Rio de Janeiro, para uma entrevista exclusiva ao Em Neon. Confira abaixo o bate-papo com o Deputado:

Em Neon:  O que causa tristezas no Jean?
Jean Wyllys: O fato do nosso sofrimento vem da falta de identificação... quer dizer, você começa a sentir as primeiras atrações por sua identidade de gênero, começa a se firmar e você não tem no mundo referência para aquilo...  Então se você não tem mundo, você se sente sozinho!!! Todos nós em um momento de nossas vidas nos sentimos sozinhos. O que é que está acontecendo comigo? Até você descobrir a comunidade da qual você faz parte,  quero dizer, eu quando frequentei pela primeira vez uma boate Gay, eu achei que era o paraíso, porque eu vi pessoas iguais a mim. Um lugar onde pessoas não reclamavam do meu jeito. Onde não me olhavam com espanto.

Jean Wyllys: um homem de ideias positivas
EN: O Jean é a Favor da descriminalização da maconha? O Brasil está preparado para isso?
JW: Eu sou a favor da descriminalização da maconha. A regulamentação da maconha é fundamental para o enfrentamento do narcotráfico, das mortes todas decorrentes dele. Eu acho que a gente só pode fazer política pública, para conter todos os danos, os possíveis danos que nascem no consumo de maconha se ela for legalizada, assim como a gente faz no caso do álcool hoje. A gente tem a lei seca, uma série de políticas, para conter os danos do álcool, exatamente porque ele é regulamentado, é legalizado. Eu sou a favor da descriminalização da maconha, por causa do narcotráfico, como forma de proteger o futuro das nossas crianças...

EN : Como é o Jean Wyllys Deputado?
JW: Eu não sou Deputado, eu ESTOU Deputado e estar deputado, traz a ideia de tempo, de limite. Eu estou deputado porque o povo me deu esse direito de representá-lo no Congresso Nacional, mas eu não transformo isso na minha essência e nem quero fazer disso minha essência. Primeiro a gente não pode se apropriar daquele espaço da representação, como espaço nosso. E muitos fazem isso!!! Tem deputados que estão no 14º mandato, e isso é um absurdo para a própria democracia.

EN: Certa vez, você disse: “Em Alagoinhas, vivi abaixo da linha da pobreza.” Chegou a passar necessidade nessa época? Como foi a sua infância e adolescência lá no Nordeste?
JW: Minha família vivia abaixo da linha de pobreza. Nasci e cresci em uma periferia chamada Baixa da Candeia, o nome oficial é Assis Chateaubriand, mas Baixa da Candeia foi o nome pelo qual ela ficou conhecida. Vivia em uma periferia rural, lá tinham muitos sítios onde as pessoas ainda plantavam mandioca no quintal, não tinha água encanada e minha mãe lavava roupa no rio. Foi uma infância de muita pobreza e, ao mesmo tempo, uma infância muito bacana, de ir nadar no rio, de brincar de roda e ciranda, dos festejos do catolicismo popular presentes, como a festa junina. Mas, voltando à miséria, a gente vivia numa situação complicada. Meu pai tinha problema com alcoolismo, então, desde que me entendo por gente, ele não tinha emprego fixo. Estava trabalhando em uma oficina e na semana seguinte já mudava de oficina, por causa da bebida. Isso fazia com que ele não tivesse meios de bancar nossa sobrevivência. A gente dependia muito da ajuda dos outros, de coisas dadas mesmo. Mas não era uma grana suficiente pra criar tantos filhos, éramos sete, mas minha terceira irmã morreu, somos seis hoje.

EN: Você foi para Salvador com que idade?
JW: Saí de Alagoinhas com 15 anos para um colégio interno, que foi um grande divisor de águas na minha vida. Era uma instituição filantrópica, era de propriedade da Cia de Ferro Ligas, que tem na Bahia, chamada Ferbasa. Essa fundação administrava o Colégio Técnico da Fundação José Carvalho, um colégio de excelência com um processo seletivo rigoroso. Por pior que seja essa ideia - porque é uma ideia que flerta com o nazismo, a ideia de formação de uma elite pensante - o colégio tinha esse ideal de formar uma elite intelectual que viesse da pobreza. Aos que passavam, eram oferecidos três cursos: tradutor-intérprete, analista de sistemas, numa época em que informática era para poucos, e técnico em mineração, que era para formar mão de obra para a indústria. Optei por análise de sistemas, e já saí da fundação com um emprego certo num hospital português. Tive formação em teatro, música, cinema, oratória, cheguei em Salvador pronto para o vestibular. Fiz a prova para três universidades: a católica, a estadual e a federal, passei nas três. Então, optei por fazer jornalismo. Antes de ir para a fundação, o que me ajudou muito foi a igreja, ela foi muito importante pra gente (Jean e irmãos).

EN: Qual a sua orientação religiosa, hoje? Ela existe?
JW: Tenho uma religiosidade, não tenho uma religião. Depois desse período em que me engajei, me associei à Pastoral da Juventude Estudantil, e quando entrei na fundação quebrei esse vínculo com a igreja. Chegou um momento em que eu comecei a questionar, porque, óbvio, o desejo já se fazia presente na minha vida, o afeto e o desejo, e comecei a questionar os padres sobre isso. O bispo Jaime foi para quem eu perguntei, estava intrigado, queria saber por que a igreja não tratava da questão da homossexualidade.

EN: Qual foi a reação?
JW: A reação do Dom Jaime foi uma reação muito curiosa, ele disse que eu estava perdendo a fé. Entendi que era um limite para mim, que a igreja, embora tenha me dado valores muito bacanas, colocou ali um limite, e coincidiu com a minha ida para a faculdade. Mas já na Fundação, comecei um flerte com o ateísmo. Com a entrada na universidade, e com a leitura do materialismo histórico, de Marx, fui flertando mais com o ateísmo, mas sou baiano e pisciano, não dá para viver num deserto de crença, não dá para não crer. Crer, em mim, é imperativo. Talvez por ter sido criado com uma educação católica, Deus passa a ser uma marca indelével, marcada a ferro e fogo em mim. Você pode até flertar com o ateísmo, mas Ele está ali. Eu lembro, aqui, do João Cabral de Melo Neto rezando quando estava morrendo. O ateu mais convicto rezou no momento da sua morte. Então, não conseguia viver num deserto de crença, e encontrei nas religiões de matrizes africanas um lugar no qual poderia recompor a minha relação com o sagrado. O candomblé sempre rondou a minha vida porque a família do meu pai é ligada ao candomblé, minha avó Rosa era rezadeira, tinha um altar de santos vestidos que me fascinava e, ao mesmo tempo, me dava medo por causa da educação católica que tive. Tinha um fascínio pela tatuagem que ela tinha no braço, uma estrela de Davi. Ela não era judia, o fato de ela ter uma estrela de Davi tatuada era tão somente porque a estrela era um símbolo pagão anterior ao judaísmo. Na Baixa da Candeia, como uma grande periferia, tinha muito terreiro de candomblé. Os terreiros foram banidos para os lugares mais distantes, religião de negro e de pobre tinha que ser banida dos centros.

Endy Van-Erven, colunista Em Neon e Jean Wyllys abraçam ideias semelhantes

EN: Sua família era conservadora e católica; como foi sentar para conversar e explicar a sua homossexualidade? Foi para sua mãe que contou primeiro?
JW: Na verdade, foi para meu irmão. Minha irmã foi surpreendente, ela falou: “Eu sempre soube e isso não muda nada”, achei muito bonito. Meu irmão também disse algo parecido, mas, com ele, eu temia mais. Sempre fomos ligados, temos um ano de diferença de idade, ele é hétero e eu sou gay, temia que ao dizer isso houvesse um afastamento, mas não houve. Com a segurança que os dois me deram, pude falar para a minha mãe com tranquilidade. Lembro dos olhos dela marejando, ela chorando, mas minha mãe sempre confiou em mim, porque assumi o papel de arrimo de família muito cedo, aos 10 anos. Meu pai estava vivo, mas conversei só com minha mãe, não conversei com ele. Quando disse pra ela, tinha acabado de entrar na Fundação, e como entrar lá era um prestígio muito grande…

EN: Você ganhou um reality show, ficou rico e se tornou repórter de um programa de TV. Em que momento você falou: “Quero ser deputado”?
JW: É assim, a política sempre esteve na minha vida, antes de tudo isso que você disse.

EN: Mas, discutir política e ser politizado é diferente de tomar um impulso e dizer: “Agora quero ser personagem dessa política”.
JW: Confesso para você que nunca pensei em ser um representante eleito, em nenhuma das esferas. Como sempre fui um garoto falante, e bem falante, as pessoas diziam: “Esse aí vai ser advogado ou político”. E eu dizia: “Não, eu vou ser jornalista”. Tenho a ideia que eu queria ser jornalista desde os 12 anos, e me tornei jornalista. A política sempre esteve na minha vida, essa agenda de movimentos sociais entrou na minha vida muito cedo, e sempre fui engajado politicamente no movimento pastoral. Quando cheguei em Salvador, entrei no movimento homossexual, porque não tinha o movimento LGBT, não tinha esse nome ainda.
Bom, aí venci o Big Brother com 50 milhões de votos na final, e com todas as características que eu tinha: nordestino e gay. Então, após o programa, chegou um momento em que precisei entender o que fazer desse legado. Quem me chamou e falou que esse legado poderia ser convertido numa representação política foi ACM Neto, Aloízio Mercadante e Heloísa Helena. Três figuras diferentes, de três partidos diferentes e de três ideologias diferentes. Mas todos identificaram em mim um potencial representante eleito.

EN: Quais os projetos para 2015?
JW: Em 2010 apresentei todos os projetos, e todos eram de questões polêmicas, onde defendo as minorias, para 2015 preciso continuar o que comecei, para que de fato eu possa dizer que nós conquistamos e progredimos.

Eduardo Moraes e Maurício Code, idealizadores do Em Neon, abraçam as causas de Jean Wyllys
EN: Quem é Jean Wyllys? Por que devemos votar em você?
JW: Isso é a pergunta mais difícil... É difícil me definir assim, porque eu acho que ninguém pode responder quem é... É algo mais profundo, todos nós somos obra em progresso, umas mais prontas, outras não. A gente só para de progredir quando a gente morre, é o termo das relações... acho que todo mundo é capaz de mudar nessa vida, todo mundo é capaz de ter uma segunda chance e que todo mundo é capaz de errar. Eu não quero me colocar nunca como o dono da verdade, como senhor das certezas, eu não quero me colocar jamais como alguém pronto. Sou alguém com arestas como todo ser humano. Eu tenho as minhas arestas, os meus defeitos, os meus erros. Mas, ao contrário de muitos seres humanos, eu tenho consciência disso. Eu procuro lidar com isso o tempo inteiro, com meus defeitos, com os meus erros, com aparar minhas arestas. Eu não sou uma pessoa que fica afirmando ou negando que tem isso ou aquilo. Para que a gente seja melhor, a gente vai ter que reconhecer o que há de defeito em nós. Então nesse sentido eu sou um cara buscando ser melhor cada dia, e não ser melhor só pra mim, mas ser melhor também para os outros. Eu quero ser melhor cada dia pra eu espalhar benefícios, mesmo!!!  Eu conduzo minha vida neste sentido, eu sou uma pessoa boa de coração, eu não faço mal a ninguém. E se por ventura eu fizer mal a alguém, sem eu querer, sem eu ter consciência disso, e eu souber depois, eu vou reparar esse erro de uma forma ou de outra. O sofrimento alheio é uma coisa que me incomoda. Eu sou um cara de fato preocupado com o sofrimento do outro, Existe aqui dentro um professor sedento de conhecimento e com prazer de partilhar conhecimento, esse sou eu.

O Em Neon, agradece ao querido Jean Wyllys pela entrevista exclusiva e lhe deseja sucesso em seus projetos. Que todos possam ser realizados e ajudem a mudar o Brasil.

Fotos: Eduardo Moraes e Maurício Code
A Redação




domingo, 21 de setembro de 2014

Teatro: Peça conta história de adolescentes em busca do amor e do entendimento da sexualidade

Em Neon: domingo, 21 de setembro de 2014



Para você que gosta de peças que falam de amor, a dica é “Não Conte a Ninguém".

A peça retrata a vida de adolescentes que vivem as experiências de suas paixões e os dilemas da sexualidade. A história gira em torno de Deco, preso na ebulição dos hormônios da adolescência, relata suas dúvidas e descobertas. Ele tenta estabelecer uma relação com a infância e a vida adulta, quebrando as barreiras locais na vivência do seu primeiro amor: um professor de Português. O espetáculo faz uma abordagem da homossexualidade de forma sensível e sem estereótipos, tocando em pontos cruciais do funcionamento da sociedade contemporânea e explora os limites experimentados na adolescência.

O autor e ator, Ricardo Corrêa, explica:“A peça pretende abrir este armário para a discussão sobre a sexualidade. Estamos conscientes do momento que estamos passando. Essa peça é um ato de resistência, em tempos onde os direitos dos homossexuais entram em pauta diárias de discussões, cabe ao teatro dar voz aos diversos grupos sociais, desta maneira fazer este espetáculo é manifestar o amor, discutir esses assuntos com profundidade. Quanto ao que Ricardo pretende com o texto ele é decisivo: “Procuro escrever peças que sejam instigantes. Não é só fazer uma peça gay, mas sim uma peça que mostra que todo mundo é igual. Este espetáculo é um elogio ao amor. Existe um conjunto de assuntos que nós, como um grupo de artistas na Cia Artera, gostamos de falar e são assuntos que tem a ver normalmente com intolerância, preconceito, minorias, às vezes de maneira mais pesada, às vezes de uma maneira mais leve, mais lírica, mais poética como em ‘Não conte a ninguém’”.

Cenário, Figurino, Iluminação e Música 
A peça brinca com a construção dos espaços através da projeção de vídeos.  É uma alegoria da memória. Pensando nisso, o local onde a ação ganha corpo é a mente do personagem central.

O cenário é uma tela onde são projetadas as imagens. Também parte dos cenários são animações, utilizamos a linguagem cinematográfica na cena, através dos vídeos feitos por Zeca Rodrigues.

Poucos elementos são usados: luminárias, cadeiras e poltronas. Dessa forma, o cenário vai sendo desvendado ao espectador através das percepções dos personagens. A peça brinca com todas as cores e atmosferas, alegres e melancólicas. Figurinos e adereços são contemporâneos, roupas que retratam o jovem, auxiliando na criação da identidade dos personagens.

A música de Diogo Soares e Thiago Maziero, criada especialmente para a montagem, serve como um comentário subjetivo do mundo interior das personagens da peça, são cantadas ao vivo.


FICHA TÉCNICA 
Dramaturgia: Ricardo Corrêa 
Direção: Davi Reis 
Elenco: Ana Paula Justino, Davi Reis, Jessica Drago, Ricardo Corrêa e Rodrigo Pasquali
Trilha Sonora e Direção Musical: Diogo Soares e Thiago Maziero
Cenografia, Figurino e Iluminação: Ricardo Corrêa
Vídeo Design: Zeca Rodrigues

SERVIÇO
Local: Espaço Parlapatões
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação - SP 
Tel: 11 3258 4449
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00
Temporada: de 5 de agosto a 30 de setembro de 2014
Terças-feiras às 21 horas

A Redação
 
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